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  • Foto do escritorEdson Almeida

A "Lâmpada" de Dendera


Não é segredo que a história e a arqueologia estão repletas de teorias alternativas. Teorias fantásticas e mirabolantes que cercam os livros, filmes, sites e canais no Youtube. Uma dessas teorias, bastante conhecida é a da "Lâmpada de Dendera", relevos na parede de um dos templos do complexo de Dendera, no Egito, que muitos afirmam representar uma lâmpada elétrica, o que seria incomum para o contexto dos egípcios da época. Essas ideias falsas são repetidas com bastante frequência em toda a Internet, principalmente em programas de TV como "Alienígenas do Passado".

É bastante intrigante o fato de que tantas pessoas aceitam essas ideias vindas de outras que não demonstram a mínima proficiência na língua, história ou arqueologia egípcia, falhando em transmitir o mais simples, o que os antigos egípcios diziam sobre as próprias representações. De todas as ideias relacionadas aos fenômenos culturais do Egito Antigo que circulam hoje, as pessoas que promovem tais ideias nunca dão uma tradução de quaisquer inscrições que acompanham tais imagens, muitas vezes, até cortando essas inscrições da imagem (o caso da imagem de capa).

Dendera

O que é comumente chamado de Templo de Dendera está localizado a cerca de 2,5 km a sudeste de Dendera, no Egito, fazendo parte do complexo de templos da deusa Hathor, originalmente chamado "iwnt mdw-nTr"(Medew Netcher), na língua dos antigos egípcios. Todo o complexo cobre cerca de 40.000 metros quadrados e é cercado por uma pesada parede de tijolos de barro.

Dendera foi um local para capelas/santuario por grande parte da história do antigo Egito. Há evidências de que o faraó Pepi I construiu este local. O edifício existente mais moderno no complexo hoje é o Mammisi, erguido por Nectanebo II – o último dos faraós nativos (360–343 a.e.c).

O que a teoria afirma?

É importante salientar que para a produção deste artigo, o autor analisou cuidadosamente os trabalhos de diversos propositores da teoria da Lâmpada de Dendera, bem como artigos de diversos contrapositores desta, no intuito analisar os dois lados da corrente, a oficial e a alternativa. Seus respectivos links estão na bibliografia ao final do texto.

Independente de qual pesquisador seja o livro ou artigo, nota-se que todos compartilham dos mesmos argumentos, que podem ser facilmente resumidos pelo texto do roteiro inicial do programa "Alienígenas do Passado", no canal History Channel.

"No Egito, existe uma cripta subterrânea em Dendera, onde e apenas os sumos sacerdotes tinham acesso. Nas paredes você tem representadas em relevos oque parecem ser lâmpadas elétricas. Temos que questionar uma coisa: como os antigos egípcios iluminavam o interior de suas tumbas?
Se os antigos egípcios usavam algum tipo de luz elétrica para iluminar suas passagens, por que a evidência visual existe apenas no antigo templo de Dendera? No Egito você tinha diferentes áreas de especialidade e Dendera era a área onde o conhecimento da fonte doadora de luz era guardado, e esse conhecimento secreto era guardado pelos sumos sacerdotes. Eles eram os únicos que tinham acesso a esse tipo de informação, porque Dendera era o lugar especial onde esse conhecimento específico era guardado."
Roteiro retirado do início do Ep. 4, 2º temporada de Alienígenas do Passado

No livro "Das Licht der Pharaonen. Hochtechnologie und elektrischer Strom im alten Ägypten" (Luz dos Faraós. Alta Tecnologia e Eletricidade no Egito Antigo), os autores austríacos Peter Krassa e Reinhard Habeck apresentam uma “Tese Elétrica” e dizem o seguinte sobre os relevos:

"As paredes são decoradas com figuras humanas ao lado de objetos que lembram lâmpadas de grandes dimensões. Dentro desses “bulbos” existem cobras em linhas onduladas. As caudas pontiagudas das cobras saem de uma flor de lótus, que, sem muita imaginação, pode ser interpretada como o soquete do bulbo. Algo semelhante a um fio leva a uma pequena caixa na qual o deus do ar está ajoelhado. Adjacente a ele está um pilar de dois braços, como um símbolo de poder, que está conectado à cobra. Também notável é o demônio parecido com um babuíno segurando duas facas nas mãos, que são interpretadas como um poder protetor e defensivo."

Peter Krassa, Walter Garn (egenheiro) e Reinhard Habeck em 1982, com o modelo "Leuchttkörper", citado acima.

A teoria contava até com um mapa sistemático explicando o que era cada componente representado na imagem.

Sistema da tese elétrica de Krassa, Habeck e Garn.

Segundo eles a imagem representa:

1. Sacerdote

2. vapores ionizados

3. descarga elétrica (cobra)

4. Soquete da lâmpada (Lotus)

5. Cabo (haste da Lotus)

6. Deus do ar

7. Isolador (Pillar de Djed)

8. Portador de luz. "Thoth" com facas

9. Símbolo para “corrente”

10. Polaridade inversa (Haarpolarität +)

11. Armazenamento de energia (gerador eletrostático?)

Impressionante né? Ou não, porque este é um belo exemplo de como alguém inteligente consegue moldar todo um contexto para se adequar á sua teoria. A forma como alguns autores trabalham, tirando alguns detalhes do contexto e moldando-os para criar uma nova realidade, produzirá resultados espetaculares, mas não confiáveis. Os relevos egípcios têm a característica de não se localizarem simplesmente sem conexão na imagem, e olhar para uma imagem dessas tirando conclusões sem nem mesmo ler as inscrições contidas nela, é a mesma coisa que abrir um livro e só olhar as imagens, ignorando todo o texto.

Cumpre ressaltar que a contra-argumentarão presente neste artigo abrange de forma geral todos os argumentos utilizados pelos diversos propositores da teoria, pois como já dito, todas compartilham dos mesmos pontos, diferindo apenas em alguns resultados de cálculos ou interpretação de imagens.

Bom, sobre a questão da iluminação das câmaras, é comprovado arqueologicamente que os egípcios possuíam diversas formas de iluminação, como lâmpadas a óleo, velas, tocha e diversos outros.

Alguns entusiastas afirmam que tochas, velas e lamparinas a óleo não poderiam ter sido usados em tais câmaras, apontando que não há evidências de carbono nos tetos de tais construções, o que indicaria que não houve queima de materiais nos locais.

Obviamente isso não é verdade, resquícios de queimas foram encontrados em praticamente todas as estruturas egípcias, como você pode comprovar em:

Ainda assim, alguns entusiastas afirmam que o oxigênio em tais câmaras era tão escasso que não sustentaria a combustão por sequer 1 minuto. Bom..A própria lógica contraria esta afirmação, veja só:

Se não havia combustível para a queima, obviamente não haveria oxigênio para os próprios trabalhadores egípcios respirarem. Mesmo assim, indo mais além na mirabolação infundada, consideremos que realmente não houvesse oxigênio o bastante no interior dessas câmaras. Sendo assim, não haveriam pessoas também, pois não seria possível respirar por mais de 10 minutos, levando em consideração que a combustão utiliza 10x mais oxigênio do que uma pessoa comum respirando. Comprove em:

Se não haviam pessoas no interior, qual seria o objetivo de ter uma lâmpada elétrica iluminando um local, já que ninguém estaria lá para ver?

É como sempre falamos, tais teorias geralmente não passam do primeiro critério de validação, a lógica.

O que as imagens estão realmente retratando?

Incrições da Sala SC em Dendera, com as "Lãmpadas" ao lado esquerdo da imagem.

Primeiramente, note que a suposta imagem da “lâmpada” é encontrada em outros lugares nestas inscrições, porém, muitas pessoas creem que existe apenas uma. A cripta que está sendo discutida é rotulada como "SC", e contém cinco relevos que correspondem aos cinco festivais mencionados na sala de culto correspondente no templo de Hathor, deusa principal da cidade de Dendera. Desses cinco relevos, dois deles trazem imagens da chamada "lâmpada", e nas inscrições, encontra-se diversas vezes o hieróglifo correspondente.

Imagem localizada ao lado da representação da suposta Lâmpada, fazendo parte do mesmo contexto.

Na foto podemos ver Har Sema Tawy (traduzido ao pé da letra como Horus o Unificador das duas Terras), na da forma da serpente, significando o Ba de Horus. É sobre ele que grande parte dessas inscrições e representações falam. Posteriormente, Har Sema Tawy tambem veio a ser o nome dado ao evento de procissão até Dendera. Vemos também a barca solar com a proa do barco feita da flor de lótus.

Estas imagem está localizada no mesmo relevo da suposta Lâmpada, porém, ao lado direito, como vimos na imagem anterior.

Tradução das colunas 1 a 2:

"Palavras faladas por Har, Unificador das Duas Terras, o grande deus que reside no centro de Dendera. Ouro, altura: 4 cubits. Barca do dia Solar feita de metal, flor de lótus de ouro."

Tradução das colunas 3 a 5:

"Palavras faladas por Har, Unificador das Duas Terras, o grande Deus, que reside no centro de Dendera, o de penas multicoloridas que está no Serekh. Ouro, altura: 3 cubit"

Tradução das colunas 6 a 9:

"Palavras ditas por Ihy, o grande, o filho de Har Sema, Ra em sua forma do grande Deus, que aparece com o diadema como um rei do Egito e como um mestre do festival Sed; Você reina sobre Dendera mil vezes desde a eternidade até a conclusão do Djed, eternidade. Ouro. Peso: 7 cubit".

Como vimos, não há nenhuma implicação ao uso de lâmpadas elétricas. Tudo dentro das inscrições é simbolismo egípcio antigo padrão, embutido na cultura. As inscrições falam sobre as descrições dos artefatos armazenados nas câmaras da cripta do templo, de que eram feitos, seu tamanho (altura) e peso (cubit, sistema de medida utilizado pelos antigos egípcios).

Cumpre ressaltar que Har Sema Tawy, uma das mais importantes divindades egípcias antigas, era conhecido sob vários outros nomes, como Hórus, Harsomtus, Her, Heru, Heru Hur, Hor (e outros), desempenha um papel crucial na mitologia egípcia. Hórus foi adorado no Egito pré-histórico e mais tarde passou a ser associado à realeza e à unidade política do Egito. Ele é representado em muitas formas, incluindo a de uma serpente, falcão e criança. Um mito egípcio menciona Ihy, o filho de Horus e Hathor, surgindo de uma flor de lótus, como vemos nas imagens de Dendera.

Agora vamos para a esquerda, nas inscrições logo acima das “lâmpadas duplas”.

Inscrições acima das "Lâmpadas", relevo ao lado esquerdo do apresentado na última imagem.

Hieróglifos contidos na mesma imagem mostrados de forma mais clara.

Este é o relevo das famosas “lâmpadas duplas”. Está localizada no final da parede sul. Existem dois conjuntos de inscrições acima das “lâmpadas”, que dizem:

Tradução das 5 primeira colunas:

"Palavras ditas por Har Sema Tawy, o grande deus que reside em Dendera, o Ba (cobra) vivo na flor de lótus da barca solar diurna, cuja perfeição os dois braços do pilar Djed carregam como sua imagem, enquanto os Ka's de joelhos estão com braços dobrados. Ouro. Todas as pedras preciosas, altura: 3 mãos. 5 cubit.".

Tradução das 5 últimas colunas:

"Palavras faladas por Har Sema Tawy, o grande, que reside em Dendera, que está nos braços dos príncipes na barca solar noturna, a nobre cobra, cuja estátua é carregada por Heh, cujo Ka carrega sua perfeição em santidade, por causa do Ba aparecendo no céu, cuja forma é admirada pelos admiradores, que vem como único, envolto por suas serpentes, com inúmeros nomes na Terra de Atum, o pai dos Deuses, que tudo criou. Ouro, metal, altura: 4 mãos. 6 cubit."

Bom, está mais do que claro que não há se quer uma implicação ao uso de lâmpadas elétricas nas inscrições. Todas as imagens e figuras na parede são símbolos egípcios antigos, padrão e iconografia verificada e corroborada em todo o Egito por milênios, como você poderá conferir na bibliografia ao final do artigo.

Aos não convencidos, mais evidências!

Entenda um pouco mais sobre a mitologia e crenças Egípcias envolvendo tais símbolos. Para os Egípcios, assim como os eles navegavam no Nilo, os deuses também o faziam, e eles encenavam tal peregrinação com suas estátuas. Quando uma estátua de um deus partia de seu “Santo dos Santos”, ela era transportada em um santuário portátil que ficava em um pequeno barco ou barca, pelo qual era carregada em procissão cerimonial para outros templos, ou ao redor de sua própria cidade, ou mesmo para outra cidade.

Mesmo conceito de arte utilizado na saca SC.

Para viajar no "Mundo Inferior", Ra navega no barco noturno chamado "msktt" (mesektet). Seu barco matinal para navegar pelo céu durante o dia chama-se "manDt" (mandjet).

O conceito do sol (Ra) exigindo um barco para suas viagens celestes remonta ao Reino Antigo, onde Ra é chamado de “grande flutuador de junco”. Essas barcas solares e lunares são frequentemente representadas com a Flor de Lótus em sua proa ou popa e em barcos reais usados ​​pelos egípcios, exatamente como vemos nos relevos de Dendera, na imagem ao lado das "Lâmpadas".

A Lília Azul Egípcia, mais conhecida como "Flor de Lótus Egípcia"

A Lília Azul Egípcia, em egípcio antigo, "sSn" (Seshan), também conhecida como Flor de Lótus aquática Egípcia, tem sido um símbolo sagrado do Egito ao longo de sua história, sendo frequentemente retratada na arte egípcia. Foi retratada em inúmeras esculturas e pinturas em pedra, incluindo as paredes do famoso templo de Karnak.

É frequentemente representada em conexão com ritos espirituais/mágicos significativos, como o rito de passagem para a vida após a morte. A flor de lótus é considerada extremamente significativa, pois se dizia que ela sobe/abre e desce/fecha com o sol. Consequentemente, por seu comportamento e colorações (azul com interior amarelo dourado), foi identificada, como tendo sido o recipiente original, à semelhança de um ovo, das divindades solares.

Símbolo da flor de lótus - dicionário egípcio "Egyptian Glyphary: Hieroglyphic Dictionary and Sign List".

A abertura simboliza o amanhecer de um novo dia ou novo ciclo, que é adequadamente retratado no templo de Het-Heru, tambén no mesmo complexo, e associado aos Festivais de Ano Novo. É também o símbolo da divindade egípcia Nefertem.

Representação de Heh, também contida nos relevos referidos.

A divindade da Eternidade cujo nome é"HH" (Heh) é um membro das oito divindades primordiais conhecidas como Ogdoada. Como os outros conceitos na Ogdoada, sua forma masculina era frequentemente descrita como um sapo, ou um humano com cabeça de sapo, e sua forma feminina como uma cobra ou humano com cabeça de cobra.

Outra representação comum o apresenta agachado, segurando um talo de palmeira em cada mão (ou apenas uma). Representações de Heh também foram usadas em hieróglifos para representar um milhão, o que era essencialmente considerado equivalente ao infinito na matemática egípcia.

Esta divindade também era conhecida como o “deus de milhões de anos”. Ele também foi associado ao ar e identificado como a divindade Shu. Como Shu, ele também é representado com os braços levantados segurando o céu nos pilares de djed, que também aparece nos relevos das supostas "Lâmpadas".

Símbolo Djed em suas várias formas, abaixo, o dicionário egípcio - "Egyptian Glyphary: Hieroglyphic Dictionary and Sign List".

O "Dd" (Djed) é um símbolo de pilar que representa o conceito de estabilidade, resistência e firmeza. É frequentemente associado a Osíris, o submundo e os mortos. O pilar djed era uma parte importante da cerimônia chamada 'levantar o djed', que fazia parte das celebrações de Heb Sed, as celebrações de jubileu do faraó egípcio. O ato de levantar o djed foi explicado como representando o triunfo de Osíris sobre Seth. M.R Reese, explica mais sobre a importância do pilar Djed na vida egípcia antiga:

“O símbolo djed também é usado em uma cerimônia chamada “levantar o djed”. Esta cerimônia destina-se a representar o triunfo de Osíris sobre Set. Durante a cerimônia, o faraó utiliza cordas para erguer um pilar, com o auxílio de sacerdotes. Isso coincidia com a época do ano em que o ano agrícola começava e os campos eram semeados. Esta foi apenas uma parte de um feriado de 17 dias de festivais dedicados a Osíris. No geral, a cerimônia do djed representou tanto a ressurreição de Osíris quanto a força e a estabilidade do monarca.”

Note que na representação das supostas lâmpadas podemos ver o Djed com braços erguidos, uma alusão ao ato de levantar o djed, citado acima.

O que são as Lâmpadas?

Onde os pseudo-historiadores veem uma lâmpada, os egiptólogos veem uma representação bem conhecida na mitologia egípcia antiga. Em uma inspeção mais próxima, fica claro que "energia", é na verdade, uma cobra emergindo de uma flor de lótus.

O objeto em forma de bulbo representa o útero da deusa do céu Nut, a esposa do deus da terra Geb, através do qual o deus do sol Ra, viajava todos os dias. O consenso entre os egiptólogos é que a cobra que vemos no meio do objeto em forma de bulbo é o deus Harsomptus, também chamado de Har Sema Tawy, porém, mais comumente conhecido como deus Hórus, como já citado.

Os dois símbolos do meio são os hieróglifos que representam itr.ty - mdw-nTr, e são confundidos com lâmpadas.

As "Lâmpadas". Na verdade, tratam-se se um hieróglifo catalogado e bastante conhecido, encontrado em diversos textos egípcios.

Existem inúmeras cenas retratando Nut com os pés e os braços curvados enquanto o sol está perto de sua boca e perto de seu útero.

A “bolha” ao redor da serpente também representa um hieróglifo real usado na antiga língua egípcia. A palavra "Hn" “santuários primordiais, lugar sagrado, palácio sagrado” é atestada em abundância nos templos de Edfu, Karnak e Dendera, referindo-se ao santuário de nascimento primordial do sol.

Símbolo "Hn", dicionário egípcio - "Egyptian Glyphary: Hieroglyphic Dictionary and Sign List".

Como vimos, existiam maneiras diferentes de representar o mesmo hieróglifo, variando conforme dinastia e local, estes são os mais comuns em se tratando do "Hn".

Hieróglifo "Hn", a suposta "Lâmpada", só que no Templo de Karnak.

Conclusão

Primeiramente, cumpre apontar que sim, os antigos egípcios possuíam uma tecnologia bastante avançada para seu tempo com toda certeza! O ponto é que é avançada apenas em relação ao contexto tecnológico de outras culturas que viveram na mesma época, mas nunca chegando a ser algo "fora do tempo", como os entusiastas afirmam. Se você procurar a palavra "tecnologia" no dicionário, vai encontrar o seguinte significado:

"Tecnologia: Teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos, métodos, meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana"

O ser humano está acostumado a confundir o termo "tecnologia" com "utilização de máquinas e circuitos", porém, ao analisarmos o significado correto e oficial, logo percebemos que a tecnologia não é apenas um computador, carro ou celular, mas qualquer que seja o instrumento que dinamize e facilite uma atividade.

Em resumo, um galho utilizado por um neandertal para alcançar uma fruta que esteja longe, já é tecnologia. Uma arma para caça ou defesa já é tecnologia. Um simples calçado de casca de arvores já é tecnologia. Até uma teoria, um sistema ou cálculo, já é tecnologia.

Sendo assim, com toda certeza os egípcios possuíam uma tecnologia mais avançada que os povos contemporâneos, pois dominavam com mais proficiência as técnicas de construção, agricultura, astronomia e outras diversas. Em resumo, sim, eles tinham tecnologia avançada e não, ela não era elétrica ou maquinaria, como muitos creem.

Agora voltando ao foco do artigo, como sempre digo, o contexto SEMPRE deve ser considerado, não é atoa que é o nome de minha página no Instagram "Contextologia". Os antigos egípcios não tinham um conceito de “Arte” como temos hoje, então, oque chamamos de belas “decorações” tinham propósito, intenção e significado que eram holísticos e interconectados à visão de mundo daquela cultura, naquela época.

Ao ver a parede de um templo que contém tanto inscrições quanto belas imagens, devemos tratá-las como um todo. Na maioria, se não, em todos os casos de explicações rebuscadas dos fenômenos culturais egípcios, aqueles que promovem tais fantásticas ideias negligenciam a tradução das inscrições que acompanham as imagens, como no caso da famosa "Bolsa Anunnaki", que de bolsa e de anunnaki não tinha nada.

Sem o conhecimento e pesquisas necessárias, as pessoas podem facilmente acreditar que essas representações são a prova de que havia utilização de eletricidade no antigo Egito, no entanto, geralmente falham em comprovar tal teoria pelo simples fato de não ser possível comprovar algo que não é real. Uma das razões para tal aceitação são os fenômenos psicológicos chamados Pareidolia, que se baseiam na inclinação natural do cérebro para buscar e reconhecer padrões familiares, quase como um programa natural de reconhecimento do cérebro.

As pessoas hoje estão muito familiarizadas com a lâmpada e sua aparência e, ao olhar para objetos e símbolos desconhecidos, o cérebro tentará rapidamente identificar como algo familiar. O mesmo princípio está em ação quando rostos são vistos nas nuvens. É por isso que o contexto é tão importante. As inscrições que acompanham as imagens fornecem o contexto necessário para a interpretação adequada das mesmas.

Tais incrições simplesmente descrevem os materiais e as dimensões das estátuas utilizadas em vários festivais associados ao Templo de Dendera, armazenados nas “criptas”, em especial, da procissão de Har Sema Tawy, bem como lista os itens que eram utilizados e ali ficavam armazenados, após o termino dos eventos. Esses festivais eram bem conhecidos e comumente praticados pelos antigos egípcios por séculos.

Quanto as imagens em relevo, evidenciamos que são símbolo comuns, diretamente relacionados á cosmogonia e mitologia do antigo Egito.

Ainda não convencido? Que tal responder nos comentários as seguintes perguntas: Se havia tecnologia elétrica, ou qualquer outro tipo de tecnologia desconhecida no antigo Egito, onde estão tais máquinas, lâmpadas, e afins? Onde estão os vestígios e resquícios materiais e arqueológicos de tal tecnologia? Se o tempo se encarregou de destruí-los, onde estão seus cacos, pedaços, ou até mesmo o pó de seus componentes?

Se os teóricos e entusiastas podem se utilizar da falta de evidencias (que muitas vezes existem, porém são desconhecidas por eles) para embasar suas teses, não há problema algum em gerar perguntas utilizando a mesma falácia.

Bibliografia e Referências

Sites:

Livros:

Peter Krassa and Rainer Habeck - Das Licht der Pharaonen" (Lights of the Pharaohs)

Franck Gordon - DENDERA: Mysteries in Antique Egypt - Amazing Objects

Selma Alcott - Egypt, Temple of Dendera: An Erotic Illustrated Story

Abdelrahman A. Amin - Dendera: Land of the Goddess Hathor

Fernando Schwarz - O Egito Invisível e o Poder dos Símbolos

Bill Manley - Egyptian Hieroglyphs for Complete Beginners

Joseph and Lenore Scott - Egyptian Hieroglyphs for Everyone: An Introduction to the Writing of Ancient Egypt

E. A. Wallis Budge - The Egyptian Book of the Dead: The Book of Going Forth by Day: The Complete Papyrus of Ani

Moustaffa Gadalla - The Egyptian Hieroglyph Metaphysical Language

Nadine Guilhou - The Legacy of Egyptian Mythology: Cosmogony and Netherworld

 

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