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PALEOANTROPOLOGIA: A Ciência que Responde Mistérios

A origem da humanidade desmistificada com novas tecnologias e técnicas analíticas multidisciplinares. Não há elo perdido, pois todos os elos estão lá para serem verificados, mas sim há perda de informação por quem procura mistério que não existem: a paleoantropologia responde cada vez mais, e melhor, a perguntas que há muito foram levantadas e pouco é divulgado das respostas.


A paleoantropologia é uma área fascinante da ciência, uma subárea da arqueologia, que busca entender a evolução humana ao longo dos milhões de anos desde o surgimento dos primeiros hominídeos. Recentemente, os avanços nessa área têm sido cada vez mais significativos, com novas descobertas sendo feitas e antigos mistérios desvendados. O que não apenas elucida questões antigas e novas, mas coloca abaixo ainda mais hipóteses infundadas de especulações modernas.


Paleoantropologia tem origem nas palavras gregas "paleo", o mesmo que o atual “antigo”, e "anthropos", que significa "homem, humano". Portanto, a paleoantropologia é o estudo dos antigos seres humanos e de sua evolução ao longo do tempo. Essa área da ciência utiliza métodos interdisciplinares, incluindo a arqueologia, a biologia e a genética, para desvendar e compreender cada vez mais os vestígios deixados pelos nossos ancestrais sobre os caminhos percorridos por nós na linha do tempo dentro de milhões de anos de evolução.


De acordo com um estudo publicado na revista científica "Nature" em 2021, a análise de fósseis de hominídeos sugere que o Homo sapiens evoluiu na África há cerca de 350.000 anos atrás, e ainda hoje não há evidências de que possa ter sido em outras localidades do globo, e se espalhou pelo mundo cerca de 60.000 anos atrás. O estudo também mostrou que as populações humanas antigas eram mais diversificadas do que se pensava anteriormente.


Ainda assim, descobertas no ano de 2022 podem arremessar esses 60 mil anos de disseminação mundial para incríveis mais de 130.000 anos atrás, haja vista provas da presença humana recém descobertas nas regiões norte-americanas estadunidenses. Estudos e análises têm previsão de publicação no próximo ano.

Antigo não significa primitivo.

Outro estudo conduzido por alguns anos e, enfim, publicado na revista "Current Biology" em 2020, descobriu que a habilidade de caminhar ereta pode ter surgido muito antes do que se pensava, e nossos ancestrais começaram a andar em duas pernas há cerca de 4,4 milhões de anos de nosso status atual. Os pesquisadores analisaram fósseis de hominídeos e usaram técnicas de modelagem computacional para recriar a marcha desses antigos seres humanos.


Um terceiro estudo, publicado na revista "Science Advances" em 2021, utilizou análises de DNA antigo para mostrar que as populações humanas na África Ocidental eram mais diversificadas geneticamente do que se pensava anteriormente. O estudo também sugeriu que a migração de populações humanas da África para outras partes do mundo pode ter sido mais complexa do que se acreditava até então. Complexidade trás mais possibilidades para o palco das análises e muito mais trabalho para os paleoantropólogos.


O Homo Longi é uma espécie irmã do Homo sapiens, ou seja, uma espécie que se originou no mesmo período e é muito próxima geneticamente de nós. Explicou Qiang Ji, um dos autores do estudo publicado na revista científica "The Innovation".

Outro avanço significativo na paleoantropologia ocorreu em 2020, quando os pesquisadores conseguiram decodificar o genoma completo de uma pessoa que viveu na África há cerca de 15.000 anos. O estudo, publicado na revista "Nature", revelou informações importantes sobre a diversidade genética dos primeiros humanos e sobre a evolução dos povos africanos.

O genoma humano é uma ferramenta poderosa para entender a evolução e a diversidade humana. Afirmou Andrea Manica, um dos autores do estudo.

Além disso, em 2021, pesquisadores descobriram um fóssil de um hominídeo de cerca de 1,5 milhão de anos de idade em Israel. A descoberta desafia a teoria anterior de que o Homo erectus, uma espécie de hominídeo, teria se originado na África e depois se espalhado pelo mundo.

Este é um importante marco na história da evolução humana. Israel Hershkovitz, um dos autores do estudo publicado na revista "Science".

Apesar desses avanços notáveis, ainda há muitos mistérios a serem desvendados na paleoantropologia. Um desses mistérios é o seguinte: por que o tamanho do cérebro humano aumentou tão rapidamente em um período relativamente curto de tempo? Nos últimos 2 milhões de anos, o tamanho do cérebro humano ampliou em cerca de 3 vezes, o que é um aumento surpreendentemente rápido em termos evolutivos.


Os pesquisadores têm várias teorias sobre o que poderia ter causado esse aumento. Algumas teorias sugerem que a mudança na dieta, a habilidade de cozinhar alimentos, o uso de ferramentas e a crescente socialização foram fatores importantes. No entanto, ainda não há consenso entre os cientistas sobre qual desses fatores foi mais importante.


Felizmente, a paleoantropologia tem ferramentas únicas para ajudar a desvendar esse mistério. Por exemplo, estudos de fósseis de hominídeos podem fornecer informações sobre o tamanho do cérebro e a estrutura craniana de nossos ancestrais. Além disso, a análise de DNA antigo pode nos ajudara entender melhor as mudanças genéticas que ocorreram durante a evolução humana e como elas podem ter influenciado o desenvolvimento do cérebro.


Outra área promissora da paleoantropologia é a análise de fósseis dentários, que podem fornecer informações valiosas sobre a dieta e o ambiente em que nossos ancestrais viveram. Exemplificando: a análise de dentes de hominídeos antigos indicou que a dieta humana evoluiu de um habito predominantemente vegetariano para uma dieta mais diversificada que incluía carne.


Em resumo, a paleoantropologia é uma área fascinante que continua a nos surpreender com novas descobertas e avanços significativos, e isso só é possível com maior ênfase nesses últimos 10 anos de avanços tecnológicos. Embora ainda haja muitos mistérios a serem desvendados, a ciência está cada vez mais perto de entender a evolução humana e as complexidades de nossa história evolutiva.

Por Maik Bárbara

@HipoteseZero


Fontes bibliográficas

Hublin, J. J., Ben-Ncer, A., Bailey, S. E., Freidline, S. E., Neubauer, S., Skinner, M. M., Bergmann, I., Le Cabec, A., Benazzi, S., Harvati, K., Gunz, P. (2021). New fossils from Jebel Irhoud, Morocco and the pan-African origin of Homo sapiens. Nature, 546-550.


Kivell, T. L., Smaers, J. B., & Steele, J. (2020). The origins of the human hand: Insights from a rare chimpanzee‐human hybrid hand. Journal of Anatomy, 237(3), 487-500.


Shriner, D., Tekola-Ayele, F., Adeyemo, A., & Rotimi, C. N. (2021). Complex human migrations in African history. Science Advances, 7(16), eabe6187.


*e edições citadas no corpo da matéria.

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