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  • Foto do escritorEdson Almeida

Misteriosa Estrutura Feita de Ossos de Mais de 60 Mamutes Data de 25.000 Anos

Atualizado: 27 de dez. de 2022


Um exemplo impressionante da arquitetura utilizada na Era do Gelo foi descoberto na na Rússia: uma enorme estrutura circular construída com os ossos de pelo menos 60 mamutes Lanudos. Datando de pelo menos 25.000 anos, a estrutura é pelo menos 13 mil anos mais antiga que Göbekli Tepe.

Tal estrutura foi descoberta em uma estepe florestal próxima a Kostenki, a 400 km de Moscow - Rússia, e hoje em dia ocupa o primeiro lugar dos assentamentos paleolíticos mais antigos oficialmente registrados.

Claramente, muito tempo e esforço foram gastos na construção dessa estrutura, por isso era obviamente importante para as pessoas que a construíram por algum motivo”, diz Alexander Pryor, arqueólogo da Universidade de Exeter (Reino Unido). Ele é o principal autor de um novo estudo publicado em 2020 na revista Antiquity, descrevendo a descoberta em Kostenki, um lugar onde muitos sítios paleolíticos importantes estão agrupados ao redor do rio Don, o maior rio da região.

Não se sabe ao certo qual era o propósito da estrutura, porém, seus antigos construtores deixaram algumas pistas, como restos de carvão e comida, incluindo vegetais. Vários poços contendo ossos de mamute constituem um círculo ósseo e podem sugerir armazenamento de alimentos. “Você obviamente obtém muita carne de um mamute, então a ideia de que havia atividades de processamento e armazenamento de alimentos acontecendo no local é algo que queremos investigar mais. As pessoas também especularam muito sobre um provável elemento ritualístico, mas para comprovar isso, precisamos de mais pistas concretas”, acrescenta Pryor.

Local do Sítio Arqueológico.

Construções de ossos de mamute são bastante conhecidas pelos arqueólogos, estruturas semelhantes foram encontradas em toda a Europa Oriental, embora em escala muito menor, com apenas alguns poucos metros de diâmetro.

Esses locais, incluindo outros encontrados em Kostenki durante os anos 1950 e 1960, datam entre 16.000 e 22.000 anos. Os pesquisadores geralmente os consideram habitações que ajudaram seus construtores a lidar com temperaturas gélidas próximas ao ponto mais baixo da última Era do Gelo.

A nova estrutura (descoberta pela primeira vez em Kostenki em 2014, mas catalogada em 2020), porém, é 3.000 anos mais velha, datando de 25.000 anos atrás e possui diferença das outras já citadas. Pat Shipman, antropólogo da Penn State University, que também participou da pesquisa, disse:

Estou completamente intrigado porque esses achados notáveis ​​diferem significativamente dos descobertos anteriormente e podem ser estudados de forma mais cuidadosa e completa com técnicas modernas”.

O tamanho da estrutura a torna excepcional entre seu tipo, e sua construção teria sido demorada e trabalhosa. Marjolein Bosch, zooarqueóloga da Universidade de Cambridge comentou: “Isto implica que foi feito para durar, talvez como um marco, um ponto de encontro, um local de importância cerimonial ou um lugar para onde voltar quando as condições se tornassem tão difíceis que o abrigo fosse necessário”

Bosch não estava envolvida na pesquisa, mas visitou pessoalmente o sitio. De fato, o tamanho da estrutura a torna uma improvável casa cotidiana, pois casas de ossos de mamute já conhecidas apresentam lareiras mais definidas, geralmente contendo restos de renas, cavalos e raposas, o que sugere que as pessoas que nelas viviam, utilizavam todo e qualquer recurso animal pudessem encontrar.

A estrutura de Kostenki carece dessas evidências, em sua grande parte, de restos de outros animais. São restos exclusivamente de mamutes lanosos e essa é uma das coisas interessantes sobre o local.

Close da estrutura, com ossos longos, uma mandíbula inferior (meio superior) e vértebras articuladas (apontadas pela arqueóloga).

A Estrutura de Kostenki é a primeira de seu tipo a fornecer evidências de que seus ocupantes queimavam madeira dentro de estruturas mesmo antes de possuir a técnica de construção de lareiras artificiais. “É a primeira vez que alguém encontra grandes pedaços de carvão dentro de uma dessas estruturas, que não estejam cercados por pedras e blocos de argila. Isso também mostra que havia árvores naquele local, um dos pedaços de carvão media aproximadamente 3 metros, mesmo queimado.” disse Pryor.

As larguras dos anéis das árvores no carvão são estreitas, sugerindo que as árvores, mesmo sendo enormes, provavelmente lutaram para sobreviver naquela paisagem. Estudos anteriores sugeriram que, mesmo nas estepes áridas da Idade do Gelo, as árvores coníferas teriam sobrevivido em florestas que se estendiam ao longo das margens dos rios, como as próximas a Kostenki, um enorme atrativo para as pessoas que procuram sobreviver.

Tais árvores eram cortadas e utilizadas em fogueiras que forneciam calor e luz, comida grelhada, assada, carne seca para armazenamento e resinas processadas para produção de utensílios e ferramentas. Se os autores estiverem corretos em sua suposição, o local teria sido utilizado para armazenamento de alimentos e secagem de carne. Há maneiras de testar essa hipótese, encontrar gotas de gordura no chão, por exemplo, poderia mostrar que a carne foi seca nas chamas.

Vista aproximada de parte das ossadas em Kostenki

O espantoso número de mais de 60 ossadas de mamutes levanta a questão: De onde vieram todos eles?

Os cientistas não têm certeza se os animais foram caçados, retirados de locais de mortes em massa ou alguma combinação dos dois. Pat Shipman, da Penn State University, já citado anteriormente, disse:

A topografia do local o torna um lugar onde repetidamente, manadas de mamutes estavam passando e poderiam ser mortos ou até terem morrido naturalmente, como na travessia de um rio. Não consigo imaginar como essas pessoas poderiam matar 60 mamutes de uma vez, porque os proboscídeos (a ordem de mamíferos à qual pertencem tanto os mamutes quanto os elefantes vivos) não costuma passar de 40, também são inteligentes e percebem se quando membros de sua manada estão sendo atacados mesmo com modernas armas silenciosas.”

Estudos posteriores dos ossos de mamute poderão fornecer mais pistas sobre sua origem. A certeza é de que eles foram transportados antes que os carnívoros tivessem a chance de comer e limpar os ossos, pois não foram encontradas marcas de dentes e partes de ossos roídas, como normalmente acontece em carcaças que foram devoradas por predadores.

Isso implica que os construtores tiveram acesso antecipado aos restos do mamute, sendo os caçando, sendo encontrando suas carcaças logo após sua morte, mas ainda não há certeza sobre tal método.

Por isso, Shipman acrescenta:

Quero saber se os ossos foram processados ​​ou transportados em carne, ou até se estamos olhando para esqueletos inteiros ou partes de carcaças empilhadas para uso futuro. Mover um mamute morto não deve ter sido fácil, mesmo que estivesse em grande parte descarnado.”
Equipe de Escavação liderada por Shipman.

Independentemente de como as ossadas de mamutes chegaram lá, sua presença com toda certeza foi crucial para os humanos que viviam na área. Lioudmila Lakovleva, Arqueologa Senior do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica e Arqueológica, publicou este ano um estudo demonstrando que o assentamento completo mostra vários cômodos de ossos de mamute, paredes, recintos, fossos, áreas de trabalho, áreas de despejo e áreas de abate.

Ainda não se sabe muito sobre o local, como sabemos, uma pesquisa histórica e arqueológica leva anos, na maioria das vezes décadas, no intuito de quando for publicada, preencher todos os critérios de validação e testes necessários. Certo é que Kostenki foi um foco para o assentamento humano durante a última era glacial.

Há evidências de que havia fontes naturais de água doce na área que permaneceram líquidas durante milênios, pode ser que essa água tenha atraído animais, incluindo mamutes, que por sua vez, atraíram humanos para o mesmo local.

Pryor termina seu estudo dizendo:

“Este projeto está nos dando uma visão real de como nossos ancestrais humanos se adaptaram às mudanças climáticas, às partes mais duras do último ciclo glacial e se adaptaram para usar os materiais que tinham ao seu redor”, disse ele. “É realmente uma história de sobrevivência diante da adversidade.”

Bibliografia e Referências

N.D. Praslov, Olsa Soffer - From Kostenki to Clovis: Upper Paleolithic―Paleo-Indian Adaptations (Interdisciplinary Contributions to Archaeology)

https://www.archaeology.org/news/8531-200318-russia-mammoth-bones

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