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  • Foto do escritorEdson Almeida

Lagash, a Veneza Mesopotâmica


No sítio arqueológico de Tell al-Hiba, Iraque, um drone equipado com um radar Shutlher de sensoriamento remoto colheu dados que indicam que Lagash, uma antiga e enorme cidade mesopotâmica, não era uma cidade comum, mas sim uma "cidade flutuante", considerada a Veneza do dias atuais, porém, na antiga mesopotâmia.

Lagash

Lagaš ou Širpula, mais conhecida como Lagash (𒉢𒁓𒆷𒆠 = Lagaš-KI em sumério) é uma das cidades mais antigas da Mesopotâmia. Situava-se no noroeste dos rios Tigre e Eufrates. Os primeiros registros historiográficos mencionam, como cidades da Suméria: Uruk, Eridu, Ur, Lagaš, Larsa, Shurupak e Nipur.

No início do terceiro milênio a.e.c., quando Kish tinha a supremacia, Lagash aceitou a suserania de Kish, porém a cidade prosperou e se tornou poderosa e agressiva. Posteriormente, Lagash se libertou da opressão e firmou sua independência, se tornando uma metrópole da antiga Babilônia.

Foi fundada entre 3.100-2.700 a.e.c., ou seja, há aproximadamente 5.000 anos atrás. Foi abandonada em aproximadamente 1600-1500 a.e.c., devido uma grande seca na região.

Cidade Flutuante?

Como você viu no título, novos estudos e pesquisas nos indicam uma Lagash um pouco diferente do que se imaginava até então. Uma equipe de pesquisas da Universidade da Pensilvânia, sob o comando da Dr. Emily Hammer, Phd em arqueologia e antropologia pela mesma universidade, enviou um drone para sobrevoar as ruínas da cidade de Lagash.

Equipado com um sistema Shutlher, similar ao LIDAR, porém, um pouco mais moderno, melhor e mais potente, o drone possibilitou registros e informações nunca alcançados antes, indicando que a cidade não era apenas cercada por pântanos, como se acreditava, mas era o que se conhece por "cidade flutuante", pois os cursos de agua passavam por dentro dela, interligando seus pontos, assim como a cidade de Veneza, na Itália.

Veneza, Itália.

Identificar analisar e entender a natureza "aquosa" desta metrópole primitiva nos traz informações importantíssimas sobre como a vida urbana floresceu há quase 5.000 anos entre, os Rios Tigre e Eufrates, onde fica o atual Iraque.

Os dados recolhidos pelo drone indicam que o vasto assentamento urbano conhecido por Lagash, consistia em quatro grandes ilhas cercadas por um enorme pântano. Ao que se parece, haviam ruas comuns e canais navegáveis dentro da cidade, conectadas por pontes e flutuantes, relata a Dra. Hammer.

Imagem preliminar liberada pela equipe.

Novas imagens e informações com bem mais detalhes serão apresentadas pela equipe no dia 21 de Novembro, em Bagdá. Traremos tais imagens e informações aqui em nosso site, assim que publicadas.

"Essas descobertas adicionam detalhes cruciais a uma visão emergente de que as cidades do sul da Mesopotâmia não se expandiram como tradicionalmente se pensava, de templos e distritos administrativos para terras agrícolas irrigadas que eram cercadas por uma única muralha da cidade."

Journal of Anthropological Archaeology, Dezembro, 2021

Já era sabido por meio de tabuletas de argila que Lagash não tinha um único centro político e comercial, mas quatro, com práticas econômicas distintas. Agora, com esta descoberta, podemos entender o porque isso acontecia. Como já citado, a cidade consistia em quatro grandes ilhas, que embora fizessem parte da mesma cidade, é bem provável e plausível, levando em consideração as inscrições e pesquisas citadas, que cada uma dessas ilhas tivesse seu próprio sistema econômico e político. Isso explicaria o porque as tabuletas descrevem Lagash como "Os quatro polos" ou "Os quatro cantos".

Canais e pontes cruzavam e interligavam as ilhas, uma provavelmente era a ilha da pesca e coleta de juncos para construção, duas outras, exibem evidências de terem sido rodeadas por muros que cercavam ruas da cidade cuidadosamente, provavelmente as ilhas mais nobres, destinadas a produção de joias e armas. Grandes fornos foram encontrados na quarta ilha, sugerindo que esses setor era responsável pela produção de cerâmica e tijolos.

Pelo que se vê, haviam portos em cada ilha, o que indica que barcos também conectavam os setores da cidade. Restos do que podem ter sido um dos primeiros estaleiros do mundo também são encontrados nas ruínas. Aglomerados de residências e outros edifícios sugerem que dezenas de milhares de pessoas viveram lá durante seu apogeu, diz Hammer.

"Naquela época, a cidade cobria cerca de 4 a 6 quilômetros quadrados, quase a área de Chicago."
Enorme área onde ficava localizada a cidade de Lagash.

Não está claro se as cidades mesopotâmicas de 5.000 anos atrás, que não estavam localizadas em pântanos, continham setores urbanos separados, mas Lagash com toda certeza tinha e explorou o transporte aquático e o comércio entre assentamentos próximos, permitindo um crescimento sem precedentes.

Não é atoa que Lagash se destaca como uma das maiores e mais ricas cidades da Mesopotâmia, esse crescimento, como já dito, ocorreu por conta de seus quatro centros comerciais e políticos distintos, ou seja, quando um não estava indo bem, haviam outros três para compensar.

Quando a região se tornou menos aguada, entre 1900-1750 a.e.c, os setores de cada ilha se expandiram e se fundiram. Mais ou menos 2 séculos depois, entre 1600-1500 a.e.c., a cidade foi abandonada e grande parte dos habitantes migrou para outras cidades mais ao norte.

Estamos no aguardo da publicação de mais imagens e dados sobre esta incrível pesquisa! Assim que tivermos mais informações, com toda certeza traremos aqui!

Bibliografia e Referencias


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