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  • O que nunca te ensinaram nas escolas sobre o IMPÉRIO BRITÂNICO - parte 1.

    O Império Britânico (em inglês: British Empire) foi o maior império em extensão de terras descontínuas do mundo. Era um império composto por domínios, colônias, protetorados, mandatos e territórios governados ou administrados pelo Reino Unido. Esse domínio é desconhecido por boa parte da população britânica e do mundo que ignoram as violências e atrocidades cometidas pelo imperialismo britânico em suas colônias. O tema não é tratado nas salas de aula, pois o ensino da História imperial e colonial britânica enaltece os feitos dos colonizadores e ignora o lado sombrio do imperialismo que diz respeito aos povos dominados. A maioria dos britânicos tem orgulho do poder hegemônico que o Império Britânico exerceu no mundo por séculos. No auge, em 1920, o Império Britânico dominava cerca de 458 milhões de pessoas, 25% da população mundial e abrangia 20% das terras do planeta. Estendia-se do Caribe (Honduras Britânicas e Guiana Inglesa) até a Austrália e ilhas remotas do Pacífico, passando por um terço da África (destaque para a África do Sul, Nigéria, Egito, Quênia e Uganda) e avançando para a Índia, Birmânia e China. Dizia-se, então, que “o Sol nunca se põe no Império Britânico” pois, devido à sua extensão ao redor do mundo, o Sol sempre estaria brilhando em pelo menos um de seus territórios. Uma pesquisa realizada pela YouGov - (https://docs.cdn.yougov.com/z7uxxko71z/YouGov%20-%20British%20empire%20attitudes.pdf) empresa internacional líder de pesquisa de mercado, e divulgada em janeiro de 2016, revelou que: 44% dos britânicos estavam orgulhosos da história do colonialismo britânico 21% lamentavam-na e 23% não tinham qualquer opinião. A mesma pesquisa também perguntou se o Imperialismo britânico foi positivo ou negativo: 43% disseram que foi positivo apenas 19% afirmaram que ele foi negativo, e 23% não souberam avaliar. Os resultados da pesquida do YOUGOV, provocaram um alvoroço enorme nos meios acadêmico e entre as autoridades políticas e educacionais, tanto que os historiadores britânicos são unânimes em enfatizar a importância de se repensar o ensino de História nas escolas: Alguns depoimentos após a pesquisa: “Há uma amnésia coletiva sobre os níveis de violência, exploração e racismo envolvidos em muitos aspectos do imperialismo, para não mencionar as várias atrocidades e catástrofes que foram perpetradas, causadas ou agravadas pela política colonial britânica”. Precisamos de uma educação melhor e um debate público aberto sobre todos os aspectos da história colonial britânica incluindo as feridas, não como um exercício de autoflagelação, mas como um meio de entender melhor o mundo que nos rodeia e como somos vistos pelos outros”. Dra. Andrea Major, professora de História Colonial Britânica da Universidade de Leeds. “A violência do Império Britânico tem sido esquecida. Precisamos enfrentar essa história e a educação é crucial se quisermos fazê-lo”. Dra. Esme Cleall, professora de História do Império Britânico, da Universidade de Sheffield. “O tema é praticamente inexistente no currículo. Nosso conhecimento da nossa própria história é muito limitado geograficamente, sem dar qualquer sentido para entender as atrocidades que foram cometidas sob o jugo imperial. Enquanto as pessoas ficam, geralmente, felizes em recordar o passado glorioso, elas são relutantes em enfrentar o lado mais sombrio do império”. Dra. Pippa Virdee, professora de História Moderna da Ásia Meridional, da Universidade de Montfort. “Nos últimos anos, tem-se falado muito sobre o papel da Grã-Bretanha em abolir a escravidão, mas pouco de fala sobre o envolvimento da Grã-Bretanha no tráfico de escravos, em primeiro lugar! Temos que ser mais honestos sobre nossa herança imperial, não apenas dentro da sala de aula, mas também fora dela”. Dr. Christopher Prior, professor de História do Século XX, da Universidade de Southampton. Fatos vergonhosos da história britânica (Cenas fortes) IMPERIO BRITANICO: OS INVENTORES DOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO. Mais de 100 mil bôeres foram presos e colocados em campos de concentração superlotados onde morreram cerca de 27 mil deles, sendo 24 mil crianças (menores de 16 anos), 2.200 mulheres e 800 homens. Os campos de concentração eram a maior arma para vencer a resistência dos bôeres e foram responsáveis pelo extermínio de cerca de 50% de sua população infantil. Os bôeres, colonos de origem holandesa e francesa, ocupavam a região desde 1830. A descoberta de minas de diamante, ouro e ferro no território atraiu a atenção dos britânicos para estender seus domínios em todo sul da África. A guerra ocorreu em duas etapas: 1880 a 1881 e 1899 a 1902. Links comprobatórios: Guerra dos Boeres - o que foi ? https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_B%C3%B4eres Primeira Guerra dos Boeres: https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Guerra_dos_B%C3%B4eres Segunda Guerra dos Boeres https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_dos_B%C3%B4eres Mais detalhes: COMÉRCIO ESCRAVO: Os livros didáticos (britânicos e brasileiros) costumam dar destaque às ações da marinha britânica, no século XIX, de apreensão dos navios negreiros. Isso passa a ideia de uma Grã-Bretanha defensora da liberdade e dos direitos humanos. Na verdade, a Grã-Bretanha teve, também, um importante papel no comércio escravo transatlântico e ele durou mais de dois séculos. O comércio britânico de escravos começou em 1562, durante o reinado de Elizabeth I, quando John Hawkins, vendeu um lote de africanos aos espanhóis de Santo Domingo em troca de ouro, açúcar e couro. Em pouco tempo, os britânicos dominavam o tráfico de escravos no Caribe estendendo-o depois às 13 colônias inglesas na América do Norte. Estima-se que, até 1807, quando o tráfico foi proibido, os navios negreiros britânicos tenham transportado cerca de 4 milhões de escravos. De acordo com o historiador David Richardson, navios britânicos levaram ao menos 3,4 milhões de africanos capturados para as Américas dos cerca de 12 milhões de africanos escravizados transportados por comerciantes europeus. Cartoon denunciando o extermínio de crianças bôeres nos campos de concentração britânicos. Massacre de Amritsar, na Índia Em abril de 1919, uma multidão que incluía mulheres e crianças manifestava-se pacificamente contra o domínio britânico em Amritsar, cidade sagrada no norte da Índia. O governo britânico havia proibido aglomerações e protestos públicos e o general Reginald Dyer fez cumprir a ordem: mandou os soldados se posicionarem na única saída da praça e ordenou que atirassem contra a multidão desarmada. Foi um massacre: 379 mortos e 1.200 feridos em dez minutos de fuzilamento que só parou porque acabaram as balas dos fuzis. A versão britânica explica a tragédia como uma reação de defesa do general Dyer que se sentiu ameaçado diante de 25 mil indianos e contando com apenas 90 soldados armados e outros 40 sem rifles. As manifestações antibritânicas estavam, então, em seu ponto mais alto. Três dias antes do massacre, três funcionários britânicos foram linchados em seus escritórios e seus cadáveres queimados na rua. Uma missionária idosa, Miss Sherwood, foi espancada e deixada morta. Cartazes na rua pediam vingança acusando os britânicos de terem estuprado meninas em Amritsar. Divisão do território indiano. A separação entre a Índia e o Paquistão, em agosto de 1947, levou a uma guerra sectária que matou um milhão de pessoas. Criado para abrigar a população muçulmana da Índia, o Paquistão era dividido em dois territórios: um no Oeste e outro no Leste (que, em 1971, se tornou Bangladesh). No meio, ficava a Índia, de maioria hindu. Essa partilha do território indiano, baseada na religião, resultou na migração em massa de quase 15 milhões de pessoas: muçulmanos que deixaram a Índia para o Paquistão, e hindus e sikhs fazendo o caminho inverso. Mal preparados para lidar com essa situação, os novos governos não conseguiram manter a lei e a ordem, e a violência eclodiu nos dois lados da fronteira, no que muitos consideram uma das maiores tragédias do século XX. As estimativas sobre o número de vítimas até hoje são imprecisas, fala-se que morreram entre 200 mil e 1 milhão de pessoas. Dezenas de milhares de mulheres foram estupradas ou sequestradas, e cerca de 12 milhões de pessoas se tornaram refugiadas. Os britânicos foram acusados de se retirar da Índia rápido demais. Críticos afirmam que eles não conseguiram estabelecer um mapa definitivo das novas fronteiras e fracassaram no planejamento para a migração em massa que se seguiu à divisão do território. Fome deliberada na Índia e Irlanda Em 1943, cerca de 3 milhões de pessoas morreram de fome e desnutrição em Bengala, na Índia, sob administração do Império britânico. No ano anterior, os britânicos haviam perdido, para o Japão, a Birmânia, o maior produtor e exportador de arroz para a Índia. Winston Churchill, primeiro-ministro na época, ordenou que os estoques de alimento fossem destinados para os soldados britânicos na Índia e no Oriente Médio e ainda enviou grandes quantidades de arroz para a Grécia (que estava também sofrendo com uma fome em massa). NA HISTÓRIA, NADA SE CRIA, TUDO SE COPIA. HOLODOMOR 33 - O MASSACRE UCRANIANO PELA FOME PROVOCADA PELO PUPILO STALIN. Algumas dessas imagens foram tiradas clandestinamente por estrangeiros, principalmente Alexander Wienerberger , James Abbe e Whiting Williams . Seu trabalho foi posteriormente publicado no Ocidente e foi visto como uma importante corroboração visual dessa tragédia humana, que havia sido trazida à tona por denunciantes como Gareth Jones e Ewald Ammende . De acordo com estimativas mais elevadas, até 12 milhões de ucranianos étnicos terão perecido em resultado da fome. Como a fome do Holodomor da Ucrânia foi fotografada secretamente. Seção de imagens - GENOCIDIO UCRANIANO. FILME - HOLODOMOR 33 Baseado na obra "The Yellow Prince", de Vasyl Barka, o filme conta a tragédia da Grande Fome da Ucrânia de 1932-1933, resultante da política de confisco do governo soviético de Stalin. Um dos melhores filmes feitos na região depois do colapso da URSS, ele denuncia um genocídio que, por décadas, foi negado pelas autoridades dos dois países. Dirigido por Oles Yanchuk, foi lançado em 1991. Claramente se mostra que as polaridades entre direita e esquerda, possuem extrema afinidade nos bastidores. MAXIMA: "QUANDO DOIS BRIGAM, PROCURE POR UM TERCEIRO !" - Continuando com as atrocidades Made by English Empire: 👇🏼 Um século antes, outra fome em massa assolou um país do Reino Unido: a Irlanda. A Grande Fome de 1845-1851, na Irlanda, matou cerca de 1 milhão de irlandeses e forçou mais de 1 milhão a emigrar da ilha, reduzindo a população entre 20 e 25%. A causa imediata da fome foi uma doença que contaminou as plantações de batatas em toda Europa na década de 1840. Mas enquanto outros governos socorreram sua população, o governo britânico nada fez e ainda impediu todas as formas de ajuda humanitária em um projeto considerado, por muitos, de genocídio. Não se sabe quantos morreram no período da fome, mas tem-se como certo que mais pessoas morreram de doenças do que da fome em si. O registro estatal de nascimentos, casamentos e mortes não havia começado ainda, e os registros mantidos pela Igreja Católica são incompletos. Uma estimativa foi atingida comparando a população esperada com seus eventuais números da década de 1850. Uma previsão esperada era que em 1851 a Irlanda tivesse uma população entre 8 e 9 milhões. Um censo feito em 1841 revelou uma população de um pouco mais de 8 milhões. Um censo imediatamente após a fome em 1851, contou 6 552 385, uma queda de aproximadamente 1 500 000 em dez anos. O historiador moderno R.J. Foster estima que 'pelo menos 775 000 morreram, a maioria por doenças, incluindo cólera nos estágios iniciais do holocausto'. Ele nota que uma 'recente estimativa computada estima as mortes de 1846 até 1851 entre um milhão e um milhão e meio; após uma critica cautelosa disso, outros estatísticos chegaram na figura de 1 000 000. Tortura no Quênia. Milhares de quenianos sofreram todo tipo de tortura durante a Revolta Mau Mau (1952-1963): Linchamentos, espancamento, castração, estrupros além de confisco de bens e propriedades por forças coloniais britânicas. Os Mau Mau lutavam para libertar o país dos colonizadores britânicos que desde 1888 dominavam o país. Não se sabe quantos quenianos morreram, as estimativas falam em 20 mil até 100 mil pessoas, e outro tanto de sobreviventes das torturas. O filme “Uma lição de vida” (The First Grader, direção de Justin Chadwick, Reino Unido, BBC Films, 2010) conta a história de um combatente Mau Mau. Em 2013, o governo britânico pagou em torno de 30 milhões de libras atendendo as reivindicações feitas por mais de 5 mil veteranos Mau-Mau. Tortura no IÊMEN. Em 1963, quando o povo iemenita iniciou um levante contra o domínio britânico, a rainha ordenou aos soldados que reprimissem impiedosamente os rebeldes. Os dissidentes que sobreviveram às investidas imperiais foram condenados ao exílio no deserto. Cenas fortes: CONCLUSÃO: Estima-se que os ingleses chegaram a comandar uma área equivalente a um quarto da Terra vindo dai a expressão de que o sol não se punha no Império Britânico. Mas será que isso ainda prevalece? O mapa animado abaixo, mostra a evolução territorial do Império Britânico. E apesar da contínua perda territorial que começou com a independência americana e que continuou ao longo dos anos, a Coroa Britânica ainda possui 14 territórios oficiais ultramarinos espalhados ao redor do planeta. Eles são: British Antarctic Territory, Falkland Islands South Sandwich and the South Georgia Islands Turks and Caicos Islands Saint Helena Saint Ascension and Tristan da Cunha Cayman Islands Sovereign Base Areas of Akrotiri and Dhekelia British Virgin Islands Anguilla Montserrat Bermuda British Indian Ocean Territory Pitcairn Islands Gibraltar. No entanto, essa afirmativa ainda permanece verdadeira! O Sol jamais se põem no IMPÉRIO BRITÂNICO. Mas permanece verdadeira, não é somente devido as áreas mencionadas na lista acima ainda permanecerem sob o seu domínio. Hoje o Império Britânico está ativo; atuante pelos 04 (Quatro) cantos do globo terrestre; no comando dos bastidores dos países, nas entranhas das economias, limitando as autonomias governamentais de forma direta ou indireta; Um domínio de cunho financeiro, através da estratégia da força pelos empréstimos monetários provocado pelos Federal Reservs que estão sediados na City of London (em português: Cidade de Londres) - o distrito mais central de Londres, apelidado de "The City" ou "A Milha Quadrada". Cujos limites correspondem com a antiga cidade amuralhada de Londinium, fundada pelos romanos depois da invasão de 43 d.C. Portanto, é verdade: o sol não se põe no Império Britânico ainda hoje !!! Mas isso será tema em outro artigo quando falaremos sobre a origem dos bancos. Interessante, não?! Como amostra do que iremos abordar, deixo um link abaixo de um vídeo do historiador Eduardo Bueno ( Peninha), que traz informações de como o Império Britânico ainda atua nos principais países, dentre eles, o nosso BRASIL sob o episódio "Pseudo" Independência do Brasil. INDEPENDÊNCIA OU DÍVIDA !! E ai, pessoal? Gostaram desse artigo? Deixe seu like. Instagram e Facebook ArqueoHistória >>> Instagram Facebook. Minha pagina no Instagram -- Aletheia Ágora em http://instagram/aletheia_agora Obrigado pela leitura e até o próximo POST Um abraço FLAVIO AMATTI FILHO www.instagram.com/aletheia_agora/ Bibliografia, Fontes e Referencias: Blair: Britain’s “sorrow” for shame of slave trade. The Guardian. 26 nov 2006. British people are proud of colonialismo and the British Empire, poll finds. Independent. 19 jan 2016. British Empire: students should be taught colonialismo ‘not all good’, say historians. Independent. 22 jan 2016. Império Britânico: o que não está nos livros didáticos (ensinarhistoria.com.br) https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_fome_de_1845%E2%80%931849_na_Irlanda Reino Unido encara sua história da escravidão (terra.com.br) https://iconografiadahistoria.com.br/2020/11/08/a-terrivel-fome-de-bengala/ https://docs.cdn.yougov.com/z7uxxko71z/YouGov%20-%20British%20empire%20attitudes.pdf Império Britânico – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org) https://youtu.be/YO7JP1CKLBc https://www.rferl.org/a/ukraine-holodomor-photographs-directory-wienerberger-abbe-whiting-bokan/31235172.html Abernethy, David (2000). The Dynamics of Global Dominance, European Overseas Empires 1415–1980. [S.l.]: Yale University Press. ISBN 978-0-300-09314-8. Consultado em 22 de julho de 2009 Andrews, Kenneth (1984). Trade, Plunder and Settlement: Maritime Enterprise and the Genesis of the British Empire, 1480–1630. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-27698-6. 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  • Fatos Pouco Conhecidos Sobre os Sumérios

    Nos dias atuais, a grande maioria das pessoas linka a Suméria a teorias fantásticas, envolvendo seres extraterrestres, tecnologia avançada e até magia. Como prezamos pelo real estudo histórico/arqueológico, nos cabe apresentar apenas o que pode ser evidenciado, mesmo que não seja tão impactante quanto homenzinhos verdes descendo dos céus. Sendo assim, neste estudo, conheceremos algumas das mais importantes criações sumérias, que como veremos, mudaram o mundo. Pequeno Resumo Sobre a Suméria ki-en-ĝir (𒋗𒈨𒊒 em cuneiforme, que significa "terra dos senhores civilizados"), mais conhecida como Suméria, é a mais antiga civilização conhecida da região sul Mesopotâmica (atual sul do Iraque), entre os rios Tigre e Eufrates. Uma das primeiras grandes civilizações do mundo, junto com Egito Antigo e Vale do Indo. Historiadores modernos sugeriram que a Suméria foi estabelecida permanentemente entre 5.000 e 4.000 a.e.c., por um povo da Ásia Ocidental que falava a língua eme-gir (posteriormente, língua sumeria), uma língua isolada e aglutinante. Esses povos pré-históricos são agora chamados "proto-eufratinos" ou "Ubaidianos" e teoriza-se que evoluíram da cultura de Samarra, no norte da Mesopotâmia. Os Ubaidianos, embora nunca mencionados pelos próprios sumérios, são considerados pelos estudiosos modernos como a primeira força civilizadora da Suméria. Eles drenaram os pântanos para a agricultura, desenvolveram o comércio e estabeleceram manufaturas, incluindo a tecelagem, o trabalho em couro, mineração e outros. Independentemente de qual tenha sido o local e o povo exato que deu origem aos Sumérios, sabemos hoje que o que eles nos deixaram, foi uma herança intelectual e material que mudou o mundo, algumas, utilizadas até hoje. Foram os Inventores da Cerveja? Os Sumérios foram os inventores da cerveja? Provavelmente não. Mas com toda certeza, foram os primeiros que a registram, tanto em representações artísticas, quanto em receitas.. Nas ruínas de Uruk, arqueólogos encontraram evidências de fabricação de cerveja que remontam ao quarto milênio a.e.c. As técnicas de fabricação que eles usaram ainda não foram totalmente evidenciadas, mas sua cerveja preferida parece ter sido uma mistura à base de cevada, tão espessa, que teve que ser sorvida através de um tipo especial de canudo de filtragem feito de junco. Os sumérios valorizavam sua cerveja e a saudavam como a chave para um “coração alegre e um fígado satisfeito”. Havia até uma deusa suméria da cerveja, chamada de “Ninkasi” (senhora da cevada), que era homenageada em um hino famoso como “aquela que rega o malte colocado no chão”. Escrita Cuneiforme O cuneiforme, termo em latim que significa literalmente “em forma de cunha”, data de cerca de 3.500 a.e.c. Em sua forma mais sofisticada, consistia em várias centenas de caracteres que os antigos escribas usavam para escrever palavras ou sílabas em tabuletas de argila húmida, com um tipo de caneta feita de junco. As tabuletas eram então deixadas no sol e posteriormente assadas. Os sumérios parecem primeiramente ter desenvolvido o cuneiforme para o propósito de manter contas e registros de suas transações comerciais, mas com o tempo, ele floresceu em um sistema de escrita completo usado para tudo, desde poesia e história, até códigos de lei e literatura. Como o roteiro podia ser adaptado para vários idiomas, foi usado ao longo de vários milênios, por mais de uma dúzia de culturas diferentes. De fato, arqueólogos encontraram evidências de que textos astronômicos do Oriente Próximo ainda estavam sendo escritos em cuneiforme até meados do primeiro século e.c. As Cidades Sumérias Guerreavam entre si Embora compartilhassem a língua e tradições religiosas e culturais, as cidades-estados sumérias se envolviam em guerras internas quase que constantemente, resultando em várias dinastias e realezas diferentes. O primeiro desses conflitos conhecidos na história, diz respeito ao rei Eannatum, de Lagash, que derrotou a cidade-estado de Umma. sua rival, em uma disputa de fronteira por volta de 2.450 a.e.c. Para comemorar sua vitória, Eannatum construiu a chamada “Estela dos Abutres”, um monumento de calcário que retrata pássaros se banqueteando com a carne de seus inimigos caídos. Sob Eannatum, Lagash conquistou toda a Suméria, mas foi apenas uma das várias cidades-estados que dominaram a Mesopotâmia durante sua história. É importante salientar que a guerra interna levou a vários avanços militares, pois os sumérios também inventaram e descrevem a "formação da falange" e a "guerra de cerco". O problema é que essas batalhas também os deixavam vulneráveis ​​a invasões de forças externas. Durante os últimos estágios de sua história, eles foram atacados ou conquistados pelos elamitas, acadianos e gútios. A Lista de Reis Sumérios Inclui uma Mulher O Weld Blundel Prism, artefato popularmente conhecido como "A lista de Reis Sumérios", é um artefato que teoricamente contém a cronologia dos reis da suméria, desde tempos imemoriáveis. A lista é uma estranha mistura de fatos históricos, mitos e lendas. As inscrições afirmam que um dos primeiros reis viveu por milhares de anos, também cita o dilúvio e outras ficções religiosas. Também inclui a única monarca feminina da Suméria, (pelo menos de que se tenha registros). Era Kubaba, uma mulher "taberneira”, como é descrita, que supostamente teria assumido o trono da cidade-estado de Kish, por volta de 2.500 a.e.c. Muito pouco se sabe sobre o reinado de Kubaba ou como ela chegou ao poder, mas a lista credita a ela “firmar as fundações de Kish” e forjar uma dinastia que durou 100 anos. Ponto Importante É importantíssimo salientar que entusiastas e adeptos de teorias fantásticas, como a teorias dos antigos astronautas e outras, afirmam que a Lista de Reis Sumérios é utilizada pela academia como fonte fiel da cronologia suméria, o que não é verdade. Existem pelo menos 16 versões diferentes da Lista de reis Sumérios e em cada uma delas, nota-se contradições e inconsistências. A versão mais completa conhecida é uma versão assíria encontrada nas ruínas da biblioteca de Níniveh, datando de no máximo 800 a.e.c., porém, ao compara-la com outras versões mais antigas, nota-se que a versão assíria ignora ou omite toda a dinastia de Lagash, que inclusive, foi uma das maiores e mais prosperas dinastias Mesopotâmicas. Também não cita importantíssimos reis, como Gudea, Eanusha e outros. Da mesma maneira, nas versões mais antigas, nota-se também outras inconsistências, por exemplo, em algumas versões, o inicio afirma que o reino estava em Eridu, quanto em outras, o reino estava em Kish. Sem contar que a lista ignora completamente outras culturas que invadiram e dominaram a suméria ao longo de sua história, silenciando também sobre Gilgamesh, o mais poderoso rei da cidade de Uruk. Em resumo, a lista de reis sumérios não é e nunca foi utilizada pela academia como fonte real e confiável sobre a cronologia suméria, mas sim, encarada como mitologia comum para a época, possuindo inclusive, as contradições e equívocos comuns neste tipo de material poético antigo. Uruk Possuía mais de 80.000 Habitantes Evidências arqueológicas indicam que os sumérios estabeleceram cerca de uma dúzia de cidades-estados, por volta do quarto milênio a.e.c., que geralmente consistiam em uma metrópole murada, com um Zigurate no meio. As casas foram construídas com juncos do pântano e tijolos de adobe, uma mistura de argila, fibras de folha seca e água. Complexos canais de irrigação foram construídos para aproveitar as águas do Tigre e do Eufrates para a agricultura. As principais cidades-estados sumérias incluíam Eridu, Ur, Nippur, Lagash e Kish, mas uma das mais antigas e extensas era Uruk, um próspero centro comercial que ostentava seis milhas de muralhas defensivas. Novos estudos arqueológicos realizados pela Universidade da Pensilvânia indicam que a cidade possuía uma população entre 70.000 e 80.000 pessoas no seu auge, por volta de 2.800 a.e.c., sendo provavelmente a maior cidade do mundo na época. A Carruagem Os sumérios não inventaram a roda, como muitos entusiastas afirmam erreoneamente, mas desenvolveram a primeira carruagem de duas rodas em que um motorista conduzia uma equipe de animais, que se tem registro, escreve Richard W. Bulliet em The Wheel: Inventions and Reinventions. Bulliet demonstra em seu livro que há evidências de que os sumérios já possuiam esse tipo de carroça por volta de 3.000 a.e.c., sendo utilizadas em cerimônias, ou pelos militares em suas campanhas, mas até então, não como um meio de se locomover pelo campo, onde o terreno acidentado dificultaria as viagens com rodas. Metalurgia Os sumérios com toda certeza foram a primeira cultura a utilizar o cobre para fazer itens úteis, desde pontas de lança, até cinzéis e navalhas, de acordo com a Copper Development Association, uma equipe de historiadores e arqueólogos de todo o mundo que se dedica ao estudo das origens e uso do bronze ao longo da história humana. Eles também fizeram arte com cobre, incluindo painéis representando animais fantásticos, como a famosa "águia com cabeça de leão" encontrada em Lagash, ou o Touro Barbado de Ur. Segundo Samuel Noah Kramer, ótimo pesquisador da história mesopotâmica, os metalúrgicos sumérios usavam fornos aquecidos por junco e controlavam a temperatura com um fole feito de couro animal, quase como vemos nas representações medievais, porém, milênios antes. Fábricas Têxteis Enquanto outras culturas do Oriente Médio coletavam lã e a usavam para tecer tecidos para roupas, os sumérios foram os primeiros a fazê-lo em escala industrial, como podemos notar pelas inscrições de Umma, conhecida por fabricar e exportar tecidos para diversas cidades mesopotâmicas e egípcias. Segundo Kramer, a inovação dos sumérios foi transformar seus templos em grandes fábricas. Ele observa e comprova em seu livro "A História Começa na Suméria", que os sumérios foram os primeiros a cruzar as linhas de parentesco e formar organizações de trabalho maiores para a fabricação de têxteis – os predecessores das modernas empresas manufatureiras. Certo é que essa incrível cultura que conhecemos por "Sumerios", mas que se autodenominavam "uğ sağ'gi ga" , que significa "Povo da cabeças/cabelos pretos", nos deixou uma herança intelectual e tecnológica tão grande, que é impossível citar, nem que seja 10% dela, em um mero artigo como este. Quando digo tecnologia, não me refiro á máquinas ou naves, mas á ferramentas que foram extremamente importantes e responsáveis pela evolução da sociedade ancestral, consequentemente, extremamente responsáveis pelo ponto em que estamos hoje. Bibliografia C. L. Woolley - The Sumerians (Norton Library Paperback) S. N. Kramer - History Begins at Sumer: Thirty-Nine Firsts in Recorded History S. N. Kramer - The Sumerians: Their History, Culture, and Character R. W. Bulliet -The Wheel: Inventions and Reinventions. Copper Development Association - Paperback nº 14, Mesopotamian Bronze Culture Captivating History - Mesopotamia: A Captivating Guide to Ancient Mesopotamian History and Civilizations, Including the Sumerians and Sumerian Mythology Conheça minha página @Contextologia no Instagram, onde compartilho minhas pesquisas e artigos na área da História, Arqueologia, Filologia e outros.

  • Reescrevendo a História da Escrita: Nova Descoberta com 120 mil anos de Idade

    Embora cientistas, arqueólogos e historiadores suponham e levantem hipóteses há muito tempo que gravuras em pedras e ossos têm sido usadas como uma forma de simbolismo que remonta ao período paleolítico médio (250.000-45.000 ac), as descobertas para apoiar essa teoria são extremamente raras. Uma nova descoberta lança luz sobre a história humana dos símbolos e primórdios da escrita. Recentemente, 2022, arqueólogos da Universidade Hebraica e da Universidade de Haifa, juntamente com uma equipe do Le Centre National de la Recherche Scientifique, da França, descobriu evidências do que pode ser o uso mais antigo conhecido de símbolos como iconografia alegórica de representação com significados específicos, tal como se fossem os primeiros rabiscos da humanidade rumo ao desenvolvimento da escrita. E não estamos falando dos ossos de Gobekli Tepe e suas marcações com aproximadamente 10 a 12 mil anos de idade. Mas sim os símbolos encontrados em um fragmento de osso na região de Ramle, no centro de Israel, e acredita-se que tenham aproximadamente 120.000 anos. Sim, são cento e vinte mil anos de idade, cem mil anos a mais do que a descoberta mais antiga até então. Notavelmente, o fragmento permaneceu praticamente intacto e os pesquisadores dos projetos envolvidos e citados acima conseguiram detectar seis gravuras semelhantes em um lado do osso, levando-os a deduzir que estavam em posse de algo com significado simbólico e/ou espiritual. A descoberta que foi recentemente publicada na revista científica Quaternary International foi descoberta em um tesouro de ferramentas de pederneira e ossos de animais expostos em um local durante escavações arqueológicas. O Dr. Yossi Zaidner do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica, Israel, diz que o local provavelmente foi usado como acampamento ou ponto de encontro para caçadores do período paleolítico que, então, caçavam, capturavam e conduziam os animais até aquele local para matavam, ou conduziam a presa já morta até lá para enfim aproveitar pele, carne e demais frutos da caça. Acredita-se que o osso identificado tenha vindo de um grande gado selvagem extinto, uma espécie muito comum no Oriente Médio da época. Usando imagens tridimensionais, métodos microscópicos de análise e reprodução experimental de gravuras em laboratório, a equipe conseguiu identificar seis gravuras diferentes que variam de 38 a 42 milímetros de comprimento. A Dra. Iris Groman-Yaroslavski, da Universidade de Haifa, explicou: “Com base em nossa análise de laboratório e descoberta de elementos microscópicos, pudemos supor que as pessoas nos tempos pré-históricos usavam uma ferramenta afiada feita de pedra de sílex para fazer as gravuras”. Os autores do artigo enfatizam que sua análise deixa muito claro que as gravuras foram de forma definitiva feitas intencionalmente pelo homem e não poderiam ter sido o resultado de atividades de abate de animais ou processos naturais ao longo dos milênios. Eles apontaram para o fato de que as ranhuras das gravuras descobertas são em forma de U clara e largas, e profundas o suficiente para que não possam ter sido feitas por nada além de humanos com a intenção de esculpir linhas no osso. A análise também foi capaz de determinar que o trabalho foi realizado por um artesão destro em uma única sessão de trabalho. A Sra. Marion Prévost, do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica, diz que todas as indicações eram de que existia uma mensagem definida por trás do que foi esculpido no osso. “Rejeitamos qualquer suposição de que esses sulcos fossem algum tipo de rabisco inadvertido. Esse tipo de arte não teria visto esse nível de atenção aos detalhes.” Então, qual era a mensagem por trás das seis linhas no osso? Os autores da pesquisa declaram: “Esta gravura é muito provavelmente um exemplo de atividade simbólica e é o modelo mais antigo conhecido dessa forma de mensagem que foi usada no Levante. Nós hipotetizamos que a escolha desse osso em particular foi relacionada ao status desse animal naquela comunidade de caçadores e é indicativo da conexão espiritual que os caçadores tinham com os animais que matavam.” O Dr. Zaidner complementou: “É justo dizer que descobrimos uma das mais antigas gravuras simbólicas já encontradas na Terra – e certamente a mais antiga do Levante. Esta descoberta tem implicações muito importantes para a compreensão de como a expressão simbólica se desenvolveu em humanos. Ao mesmo tempo, embora ainda não seja possível determinar o significado exato desses símbolos, esperamos que a pesquisa contínua revele esses detalhes importantes”. Sim, depois dessa descoberta Yuval Noah Harari terá que corrigir um detalhe em seu livro Saphiens, onde coloca a revolução cognitiva em tempos mais recentes que os 120 mil anos de idade dessa demonstração de comunicação por símbolos pré-determinados que podemos até especular ser um primórdio do que um dia viria a ser a escrita, dezenas de milênios depois. FONTES: Revista Científica Quaternary International Pesquisas e Estudos: Universidade Hebraica de Jerusalém Crédito da imagem do cabeçalho: Marion Prévost

  • De LANIAKEA ao GREAT ATTRACTOR - Muito além da Via Láctea - Saibam como é grande o UNIVERSO!

    Nesse artigo, iremos desvendar o que existe muito, mas muito, além da Via Láctea. Uma imersão nos novos conhecimentos do que existe além da nossa galáxia. Está preparado ? Então, boa leitura! Um fascinante novo estudo, publicado na renomada revista Nature: The Laniakea supercluster of galaxies, revela que a nossa galáxia está situada no aglomerado de virgem. O aglomerado de Virgem, abrange aproximadamente de 1300 a possivelmente 2000 galáxias membros. Esse fantástico aglomerado forma a 'cabeça' do Superaglomerado local, do qual o Grupo Local faz parte e que é pertencente ao Superaglomerado local com uma largura de cerca de 60 milhões de anos-luz, que é ele próprio parte do Superaglomerado de Virgem. A massa total estimada é de 1.2 × 1015 M☉ até 8 graus do centro do aglomerado ou num raio de 2.2 Mpc. A nossa galáxia possui 100 mil anos-luz de diâmetro que aglomera cerca de 250 bilhões de estrelas. Se a Terra fosse do tamanho de uma bactéria, a Via Láctea seria do diâmetro da Terra. A Via Láctea é só uma das 200 bilhões de galáxias do Universo observável. Há mais galáxias no universo, do que estrelas numa única galáxia. Assim, é de se esperar que, do mesmo jeito que as estrelas se organizam em galáxias, as galáxias se organizem em estruturas ainda maiores, e essas estruturas existem, e são chamadas aglomerados. Mas também, há os superaglomerados, que são concentrações de aglomerados e muitos astrônomos dedicam a carreira a mapeá-los. Sabe-se há décadas que a Via Láctea está na vizinhança do aglomerado de Virgem (que tem esse nome por se localizar atrás da constelação homônima no céu). Porém, o que não se sabia, é que Virgem, com 201 milhões de anos-luz de diâmetro, era só a ponta de algo maior: um superaglomerado chamado Laniakea, que significa “céu imensurável” em havaiano. LANI = CÉU AKEA = IMENSURÁVEL Com 520 milhões de anos-luz de extensão e cerca de 150 mil galáxias; Laniakea só foi mapeada em 2014 pela equipe de Brent Tully, da Universidade do Havaí. Eles analisaram a posição no céu, a velocidade e a direção em que estão se movendo. Nada mais do que 8 mil galáxias da nossa vizinhança (uma pequena amostra do total) e que por sua vez, é parte de uma mega estrutura com incríveis cem mil galáxias. Essa então é Laniakea!!! O superaglomerado Laniakea , assim como todos os superaglomerados, contém centenas de milhares de galáxias, incluindo a nossa, a Via Láctea, e que faz parte de um aglomerado de galáxias chamado Grupo Local. O superaglomerado Laniakea, descoberto em 2014, se estende cerca de 500 milhões de anos-luz e contém cerca de 100 mil vezes a massa da nossa galáxia. Os superaglomerados de galáxias são constituídos de centenas de aglomerados de galáxias unidas por sua própria atração gravitacional. Nosso imenso superaglomerado é mostrado aqui em uma simulação de computador (ver imagem abaixo). A área cercada por laranja é Laniakea nosso superaglomerado; já as áreas verdes são as áreas onde as galáxias estão concentradas. As galáxias são representadas por pequenos pontos brancos, enquanto as linhas brancas mostram o movimento das galáxias em direção ao centro do superaglomerado. Na imagem ampliada, o ponto azul indica a localização da Via Láctea no superaglomerado. Para além da linha laranja, as galáxias desaguam no outras concentrações galácticas As galáxias se movem em grupos (cinqüenta galáxias) e em supercúmulos (alguns milhares de galáxias) e muito grande escala em superaglomerados cada vez maiores (centenas de milhares de galáxias) que os cientistas estão tentando circunscrever. Os supercúmulos mais próximos de nosso superaglomerado estão listados na tabela abaixo Como os pesquisadores realizaram este mapeamento? como seria possível separa-la de outras grandes estruturas? Primeiramente, as galáxias ao nosso redor possuem movimento padrão e identificável. O time de cientistas, liderados por R. Brent Tully, da universidade do Havai (University of Hawaii), estudaram inicialmente o movimento de oito mil galáxias em nossa vizinhança galáctica. Neste estudo foi possível mapear alguns dos padrões de movimentação. O universo cosmicamente apresenta uma expansão, o que faz com que grande parte das galáxias estejam se afastando uma das outras. Foi observado assim as galáxias com padrão de movimento que se diferenciava deste fluxo de afastamento. Estas galáxias podem estar se aproximando através do efeito gravitacional, que as prende em estruturas de diferentes escalas. O gráfico acima mostra justamente este fluxo, onde é delimitado as galáxias se afastando (redshift), em vermelho. As galáxias que se aproximam (blueshift) da via láctea foram delineadas em azul. A definição destas estruturas é garantida justamente a partir destes movimentos. No vídeo abaixo, podemos entender melhor como estes mapas se encaixam: Agora que você sabe o quanto imenso é o UNIVERSO da qual estamos inseridos em nosso planeta, belo, azul, repleto de vida, que sequer temos conhecimento sobre o que realmente existe nele, prepare-se. Laniakea não representa o verdadeiro tamanho do nosso UNIVERSO!! Exatamente! Há algo ainda muito maior. Está preparado? Então, continue a leitura, e se surpreenda! BONUS #1: Conhecendo a MURALHA DO POLO SUL. Em julho de 2020, a UNIVERSITY OF HAWAI´I publicou outro descobrimento ainda mais incrível. Segundo a publicação, na última década, uma equipe internacional de astrônomos, liderada em parte por Brent Tully , do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí, mapeou a distribuição de galáxias ao redor da Via Láctea. Eles descobriram uma imensa estrutura além de Laniakea, um imenso superaglomerado de galáxias, incluindo a nossa . Os astrônomos apelidaram a estrutura recém-identificada de Parede do Pólo Sul. A Muralha do Pólo Sul como chamaram, fica imediatamente além do Superaglomerado Laniakea, envolvendo toda a região como se fosse um braço. A parte mais densa dele fica na direção do Pólo Sul da Terra, inspirando o nome. Ele se estende em um grande arco de 200 graus – mais do que um semicírculo – alcançando bem o céu do norte. A concentração no Pólo Sul está a uma distância de 500 milhões de anos-luz. Seguindo o braço para o norte, ele se dobra para dentro de 300 milhões de anos-luz da Via Láctea. Ao longo do braço, as galáxias estão se movendo lentamente em direção ao Pólo Sul e, de lá, através de uma parte do céu obscurecida da Terra pela Via Láctea em direção à estrutura dominante no universo próximo, a conexão Shapley. “Nós nos perguntamos, se a Muralha do Pólo Sul é muito maior do que vemos. O que mapeamos se estende por todo o domínio da região pesquisada. "Somos os primeiros exploradores do cosmos, estendendo nossos mapas em território desconhecido”, descreveu Tully. Vejam abaixo: Para acessar a pesquisa em PDF --- clique aqui >>> A pesquisa da equipe foi publicada no Astrophysical Journal . Ao longo dos últimos 40 anos, tem havido uma crescente valorização dos padrões na distribuição das galáxias no Universo, lembrando características geográficas como cadeias de montanhas e arquipélagos de ilhas. CONCLUSÃO: A Via Láctea, com seus 100 bilhões de estrelas, faz parte do pequeno Grupo Local de galáxias, que por sua vez é um subúrbio do aglomerado de Virgem com milhares de galáxias. Já, o aglomerado de Virgem, por sua vez, é um componente externo de um conglomerado ainda maior de muitos aglomerados ricos de galáxias, coletivamente chamados de “Grande Atrator” , por causa de sua imensa atração gravitacional. Em 2014, a equipe mapeou o Superaglomerado Laniakea, o agrupamento de cem mil galáxias em uma região ainda maior, abrangendo 500 milhões de anos-luz. E agora, a Muralha do Pólo Sul , tão grande quanto a Grande Muralha de Sloan, uma das maiores estruturas conhecidas no Universo, mas a nova descoberta está muito mais próxima. O cartógrafo cósmico da Universidade de Paris-Saclay, Daniel Pomarede, um dos principais autores do estudo, explicou: “Pode-se perguntar como uma estrutura tão grande e não tão distante permaneceu despercebida. Isso se deve à sua localização em uma região do céu que não foi completamente pesquisada e onde as observações diretas são prejudicadas por manchas de poeira galáctica e nuvens em primeiro plano. Nós a encontramos graças à sua influência gravitacional, impressa nas velocidades de uma amostra de galáxias.” Heléne Courtois da Universidade de Lyon ( UDL ) liderou a campanha de observação na investigação colaborativa. Romain Graziani da UDL e Yehuda Hoffman da Universidade Hebraica de Jerusalém construíram os modelos descritivos BONUS #2: Conhecendo o GRANDE ATRATOR. No vídeo abaixo, você mergulhara no ultimo grande descobrimento da imensidão do nosso UNIVERSO. Conheça então, o Grande Atrator. O que nos espera? Os superalglomerados de Galaxias estão sendo "puxados" para um enorme funil onde o destino é desconhecido ? Pare, respire, coloque fones de ouvidos, preferencialmente e faça uma imersão profunda sobre o GRANDE ATRATOR ! (legendas em português, exclusivo do Almanaque ArqueoHistória para vocês. Aperte o play e boa viagem !!! E ai, pessoal? Gostaram desse artigo? Deixe seu like. Instagram e Facebook ArqueoHistória >>> Instagram Facebook. Minha pagina no Instagram -- Aletheia Ágora em http://instagram/aletheia_agora Obrigado pela leitura e até o próximo POST Um abraço FLAVIO AMATTI FILHO www.instagram.com/aletheia_agora/ Bibliografia, Fontes e Referencias: https://astronomiaamadora2016.blogspot.com/2016/12/aglomerado-de-galaxias-em-virgem.html http://meuprofessordefisica.com/2015/09/18/mais-detalhado-mapa-do-universo-e-a-laniakea/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Laniakea https://www.hawaii.edu/news/2020/07/10/laniakea-supercluster-mapping/ http://www.astronoo.com/pt/artigos/superaglomerado-laniakea.html «Mapa do universo e o super-aglomerado laniakea». Consultado em 18 de setembro de 2015. Arquivado do original em 7 de janeiro de 2016 ↑ Ir para:a b c d e f Tully, R. Brent; Courtois, Hélène; Hoffman, Yehuda; Pomarède, Daniel (setembro de 2014). «The Laniakea supercluster of galaxies». Nature (em inglês). 513 (7516): 71–73. ISSN 1476-4687. doi:10.1038/nature13674 ↑ Ir para:a b c d nature video (3 de setembro de 2014), Laniakea: Our home supercluster, consultado em 11 de dezembro de 2017 ↑ Luo, Zhi-Xing (2016). «Testing Einstein's Equivalence Principle with supercluster Laniakea's gravitational field». Journal of High Energy Astrophysics. 9: 35-38 ↑ Ir para:a b Gibney, Elizabeth (2014). 1.15819 «Earth's ner address: 'Solar System, Milky Wya, Laniakea'» Verifique valor |url= (ajuda). Nature (15819) ↑ «Laniakea, o 'endereço' da Via Láctea». O Globo. 4 de setembro de 2014

  • Origem e Significado dos sinais '🙏🏼' '🖖'.

    - Conhecendo o sinal através do gesto >> '🙏🏼' Utilizado quase que constantemente no dia a dia e em diversas ocasiões, esse sinal '🙏🏼', quase sempre seguido pela palavra AMÉM, não tem uma tradução direta, pois AMÉM não se trata propriamente de uma palavra. Isso porque a sua origem vem das letras iniciais das palavras hebraicas (Alef-Mem-Nun), ou seja, se trata de um acrograma. Mas o que é um Acograma? Acograma é uma palavra formada pelas suas iniciais, uma sigla, como por exemplo. ONU (Organização das Nações Unidas). E esse acrograma, é uma palavra que é composta por três letras em hebraico:אָ מֵ ן Esta sigla de três letras, sintetiza a frase "Deus, Rei, Fiel", que em hebraico se lê: - - - Elohim Melech Neeman. Ou seja AMN, e que pode ser escrita em hebraico com as mesmas letras de Amém ou Ámen Elohim (representada – na imagem acima – pela letra “alef” (da direita), a mesma que inicia a palavra Elohim). Elohim significa Deus. Melech (representada pela letra “mem”, a do meio na imagem). Significa Rei. Neeman (representada pela letra “nun”, da esquerda vista acima). Significa Fiel. Portanto quando se fala Amém ou se faz o gesto "🙏🏼", é o mesmo que dizer: Deus Rei Fiel Como se vê, essa palavra vinda de um acograma, representa a hierarquia onde o Fiel para falar com Deus, somente através de um intermediário entre ele e Deus, ou seja, um Rei, um Imperador ou alguém designado para tal. Lembrem-se. Amém = 🙏🏼 = Assim seja = A M N = Elohim Melech Neeman =Deus, Rei, Fiel. CONCLUSÃO: O significado da palavra amém, não é o que você está acostumado. - Conhecendo o sinal '🖖' ou '🙌🏼' O símbolo feitos com as mãos assim >> 🖖 🙌🏼 é um gesto usado dentro do judaísmo denominado de Cohanim, Cohen ou Khoen. Pelos estatutos da Torá, estabelecidos por D'us (Porção da Torá Emor; capítulo que trata principalmente da pureza dos sacerdotes), o gesto ou símbolo cohen, ou cohanim, no plural, na pratica eram gestos designados pelo sacerdotes que desempenhavam funções específicas quando existia o Templo Sagrado em Jerusalém, e eram considerados homens santos e puros por D'us. Os cohanim são aquelas pessoas que hoje compreendem cerca de quatro a cinco por cento da população judaica, ou seja, são aquele os quais traçam sua linhagem paterna derivam diretamente até Aarão, irmão de Moisés, que também foi o primeiro Sumo Sacerdote. Os Cohanim realizavam as oferendas no Tabernáculo e depois no Templo em Jerusalém, ou seja, recebem certas honras, e ainda abençoam a congregação como feito exatamente com as mesmas palavras com as quais Arão abençoou há mais de 3.300 anos, quando finalmente foi colocado o primeiro Tabernáculo em pé. Até hoje, em diversas oportunidades durante o ano, os cohanim abençoam o povo durante as preces nas sinagogas (um cohen é o primeiro a ser chamado na Leitura da Torá, seguido de um Levi). Dessa forma quando os Cohanim abençoam o povo, eles ficam na frente da sinagoga, enfrentam a congregação, cobrem seus rostos com seu xale de oração, e espalham suas mãos, ou seja, primeiro fazem assim 🙌🏼 e depois assim 🖖 quando dizem então as palavras da bênção, uma palavra de cada vez, seguindo palavra por palavra os avisos do cantor. Na maioria das congregações, eles fazem isso junto com uma melodia, que difere de acordo com o costume da congregação. A razão pela qual o Cohanim levanta e espalha suas mãos é porque foi exatamente o que Aaron fez quando concedeu a benção: "E Aaron levantou as mãos para o povo e abençoou-os..." Espalhando os Dedos: Mas por que eles espalham os dedos? O Midrash ( Interpretação ou explicação crítica de um texto religioso judaico) explica que o Shechinah - a presença divina, espreita através dos dedos do Cohanim durante a bênção sacerdotal, de acordo com o verso", "... eis que ele está atrás da nossa parede, olhando das janelas, olhando entre as rachaduras. Em hebraico, essas últimas palavras são מציץ החרכים- meitzit min ha-charakim. Essa última palavra, ha-charakim, também pode ser lida como "cinco rachaduras na parede" e isso nos dá a pista da forma comum pela qual os Cohanim estendem as mãos — é para ter um total de cinco separações entre os dedos: um espaço abaixo e entre os polegares, outros dois espaços entre o polegar e o segundo dedo de cada mão, e outros dois entre o terceiro e o quarto dedo de cada mão. Faça isso corretamente, e você tem a versão original do que se popularizou há três mil anos e depois como a saudação vulcana (apenas com ambas as mãos). Apenas uma ressalva: se você não é um Cohen e está tentando a autêntica saudação de duas mãos, não diga a bênção sacerdotal enquanto faz isso. A instrução da Torah para Cohanim é exclusiva. Abençoe a todos que quiser, mas usar essas palavras com as mãos levantadas e os dedos se espalharem como se você fosse um Cohen é reservado exclusivamente para Cohanim no momento apropriado. De fato, o Zohar adverte que aquele que o faz traz julgamento e maldições sobre si mesmo. Mas você deve estar se perguntando: Porque o ator Leonard Nimoy através do seu personagem Spock em Jornada nas Estrelas, faz essa saudação : Segundo o ator, ele afirmou que teve a ideia para esta saudação porque, quando criança, ele espiou quando lhe disseram para não fazer, e viu os dedos do Cohanim. A saudação foi usada pela primeira vez no episódio Amok Time de 1967. Segundo Leonard Nimoy no seu livro I Am Not Spock, a saudação é baseada na benção sacerdotal feito pelos Cohen judeus, onde o gesto das mãos se torna similar a letra em hebreu ש ("Shin") e a letra tem, neste caso, como significado a palavra El Shaddai ("Deus todo-poderoso").[2] O gesto normalmente é acompanhado pela frase "Live long and prosper" ("Vida longa e próspera"). Por fim, uma última curiosidade. Quais teriam sido as últimas palavras de Leonard Nimoy, nosso eterno "Spock", vítima da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica.? Leonard Nimoy lutava contra a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, sucumbindo à doença em 27 de fevereiro de 2015, aos seus 83 anos. Leonard Nimoy partiu deixando seus dois filhos, seus seis netos e seu único bisneto. Logo no momento que antecedeu sua morte, o ator foi capaz de ainda expor algumas de suas reflexões finais. Surpreendentemente, ele não fez isto apenas para com sua família, mas também para com o mundo. 5 dias antes de sua morte, Leonard Nimoy compartilhou suas últimas palavras ao mundo, por meio de um comentário no Twitter, dizendo: “Uma vida é como um jardim. Momentos perfeitos podem ser tidos, mas não preservados, exceto na memória. LLAP” Caso você se questione a respeito da sigla “LLAP”, ele a usava frequentemente, se tratava da famosa frase: “Vida longa e próspera”. E ai, pessoal? Gostaram desse artigo? Deixe seu like. Instagram e Facebook ArqueoHistória >>> Instagram Facebook. Minha pagina no Instagram -- Aletheia Ágora em http://instagram/aletheia_agora Obrigado pela leitura e até o próximo POST Um abraço FLAVIO AMATTI FILHO www.instagram.com/aletheia_agora/ Bibliografia, Fontes e Referencias: https://www.chabad.org/ https://www.dicio.com.br/acrograma/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Sauda%C3%A7%C3%A3o_vulcana https://www.significados.com.br/el-shaday/ https://bibliaseensina.com.br/significado-da-palavra-amem-hebraico/ The Jewish roots of Leonard Nimoy and 'live long and prosper' (The Washington Post). Página acessada em 1 de Janeiro de 2019. ↑ «Leonard Nimoy: 'Star Trek' fans can be scary (Archive.li)». Hero Complex. Los Angeles Times. 11 de maio de 2009. Consultado em 1 de Janeiro de 2019

  • Lagash, a Veneza Mesopotâmica

    No sítio arqueológico de Tell al-Hiba, Iraque, um drone equipado com um radar Shutlher de sensoriamento remoto colheu dados que indicam que Lagash, uma antiga e enorme cidade mesopotâmica, não era uma cidade comum, mas sim uma "cidade flutuante", considerada a Veneza do dias atuais, porém, na antiga mesopotâmia. Lagash Lagaš ou Širpula, mais conhecida como Lagash (𒉢𒁓𒆷𒆠 = Lagaš-KI em sumério) é uma das cidades mais antigas da Mesopotâmia. Situava-se no noroeste dos rios Tigre e Eufrates. Os primeiros registros historiográficos mencionam, como cidades da Suméria: Uruk, Eridu, Ur, Lagaš, Larsa, Shurupak e Nipur. No início do terceiro milênio a.e.c., quando Kish tinha a supremacia, Lagash aceitou a suserania de Kish, porém a cidade prosperou e se tornou poderosa e agressiva. Posteriormente, Lagash se libertou da opressão e firmou sua independência, se tornando uma metrópole da antiga Babilônia. Foi fundada entre 3.100-2.700 a.e.c., ou seja, há aproximadamente 5.000 anos atrás. Foi abandonada em aproximadamente 1600-1500 a.e.c., devido uma grande seca na região. Cidade Flutuante? Como você viu no título, novos estudos e pesquisas nos indicam uma Lagash um pouco diferente do que se imaginava até então. Uma equipe de pesquisas da Universidade da Pensilvânia, sob o comando da Dr. Emily Hammer, Phd em arqueologia e antropologia pela mesma universidade, enviou um drone para sobrevoar as ruínas da cidade de Lagash. Equipado com um sistema Shutlher, similar ao LIDAR, porém, um pouco mais moderno, melhor e mais potente, o drone possibilitou registros e informações nunca alcançados antes, indicando que a cidade não era apenas cercada por pântanos, como se acreditava, mas era o que se conhece por "cidade flutuante", pois os cursos de agua passavam por dentro dela, interligando seus pontos, assim como a cidade de Veneza, na Itália. Identificar analisar e entender a natureza "aquosa" desta metrópole primitiva nos traz informações importantíssimas sobre como a vida urbana floresceu há quase 5.000 anos entre, os Rios Tigre e Eufrates, onde fica o atual Iraque. Os dados recolhidos pelo drone indicam que o vasto assentamento urbano conhecido por Lagash, consistia em quatro grandes ilhas cercadas por um enorme pântano. Ao que se parece, haviam ruas comuns e canais navegáveis dentro da cidade, conectadas por pontes e flutuantes, relata a Dra. Hammer. Novas imagens e informações com bem mais detalhes serão apresentadas pela equipe no dia 21 de Novembro, em Bagdá. Traremos tais imagens e informações aqui em nosso site, assim que publicadas. "Essas descobertas adicionam detalhes cruciais a uma visão emergente de que as cidades do sul da Mesopotâmia não se expandiram como tradicionalmente se pensava, de templos e distritos administrativos para terras agrícolas irrigadas que eram cercadas por uma única muralha da cidade." Journal of Anthropological Archaeology, Dezembro, 2021 Já era sabido por meio de tabuletas de argila que Lagash não tinha um único centro político e comercial, mas quatro, com práticas econômicas distintas. Agora, com esta descoberta, podemos entender o porque isso acontecia. Como já citado, a cidade consistia em quatro grandes ilhas, que embora fizessem parte da mesma cidade, é bem provável e plausível, levando em consideração as inscrições e pesquisas citadas, que cada uma dessas ilhas tivesse seu próprio sistema econômico e político. Isso explicaria o porque as tabuletas descrevem Lagash como "Os quatro polos" ou "Os quatro cantos". Canais e pontes cruzavam e interligavam as ilhas, uma provavelmente era a ilha da pesca e coleta de juncos para construção, duas outras, exibem evidências de terem sido rodeadas por muros que cercavam ruas da cidade cuidadosamente, provavelmente as ilhas mais nobres, destinadas a produção de joias e armas. Grandes fornos foram encontrados na quarta ilha, sugerindo que esses setor era responsável pela produção de cerâmica e tijolos. Pelo que se vê, haviam portos em cada ilha, o que indica que barcos também conectavam os setores da cidade. Restos do que podem ter sido um dos primeiros estaleiros do mundo também são encontrados nas ruínas. Aglomerados de residências e outros edifícios sugerem que dezenas de milhares de pessoas viveram lá durante seu apogeu, diz Hammer. "Naquela época, a cidade cobria cerca de 4 a 6 quilômetros quadrados, quase a área de Chicago." Não está claro se as cidades mesopotâmicas de 5.000 anos atrás, que não estavam localizadas em pântanos, continham setores urbanos separados, mas Lagash com toda certeza tinha e explorou o transporte aquático e o comércio entre assentamentos próximos, permitindo um crescimento sem precedentes. Não é atoa que Lagash se destaca como uma das maiores e mais ricas cidades da Mesopotâmia, esse crescimento, como já dito, ocorreu por conta de seus quatro centros comerciais e políticos distintos, ou seja, quando um não estava indo bem, haviam outros três para compensar. Quando a região se tornou menos aguada, entre 1900-1750 a.e.c, os setores de cada ilha se expandiram e se fundiram. Mais ou menos 2 séculos depois, entre 1600-1500 a.e.c., a cidade foi abandonada e grande parte dos habitantes migrou para outras cidades mais ao norte. Estamos no aguardo da publicação de mais imagens e dados sobre esta incrível pesquisa! Assim que tivermos mais informações, com toda certeza traremos aqui! Bibliografia e Referencias https://www.researchgate.net/publication/30054588_Using_Shuttle_Radar_Topography_to_map_ancient_water_channels_in_Mesopotamia https://www.researchgate.net/publication/312587045_Recognition_of_ancient_channels_and_archaeological_sites_in_the_Mesopotamian_floodplain_using_satellite_imagery_and_digital_topography https://www.sciencenews.org/article/mesopotamia-city-marsh-islands-drone-lagash-iraq Conheça minha Página @Contextologia no Instagram, onde compartilho minhas pesquisas e artigos na área da História, Arqueologia, Filologia e outros.

  • O Engano Lógico: Lendo a História sob Vieses Cognitivos

    Um viés cognitivo pode ser perigoso ou não, mas na maioria das vezes proporciona mais malefícios do que qualquer outra coisa. Veja a seguir como não ser enganado por outros e até você mesmo. Um viés cognitivo é um padrão de distorção de julgamento que ocorre em situações particulares, levando à distorção perceptiva, ao julgamento pouco acurado, à interpretação ilógica, ou ao que é amplamente chamado de irracionalidade. Uma lista longa e em constante crescimento de vieses cognitivos tem sido identificada nas últimas seis décadas de pesquisas acerca do julgamento humano e tomada de decisões na ciência cognitiva, na psicologia social, na economia comportamental e todas as áreas das ciências da humanidade. No entanto, uma questão aberta é se esses vieses devem ser considerados como um conjunto de falhas de raciocínio, erros de memória, interpretações distorcidas, ou se devem ser considerados como uma parte normal da cognição humana. Nos estudos do passado humano, além da lógica da pesquisa científica e mecanismos teóricos elaborados por décadas que já passam de século de refinamento teórico, também temos a capacidade de continuar evoluindo os métodos a fim de elaborar de forma correta toda e qualquer nova teoria, evitando tanto falácias quanto vieses cognitivos. Porém quanto ao campo da história geral, se houver pouco conhecimento de causa, visões superficiais podem levar ao engano. E por vezes historiadores e arqueólogos se deparam com amantes do passado humano e estudiosos por hobby aclamando sobre assuntos que não dominam e tão menos conhecem todos os parâmetros das perspectivas que envolvem tudo que deveria ser sabido para que qualquer divulgação temática pudesse ser feita, seja ele em qual canal de comunicação for. Os vieses cognitivos são tão vastos em tipos e variações interpretativas que desde o início dos estudos acerca desse tema entre as décadas de 60 e 70 do século XX, vem sendo divididos em várias categorias, incluindo vieses de expectativa, vieses de atenção, de percepção, memória, raciocínio e vieses de tomadas de decisões, um dos mais perigosos existentes. Alguns exemplos de vieses cognitivos mais comuns e fáceis de serem identificados incluem o viés de confirmação, o viés de seleção, de atenção, recordação, comparação, representatividade, o viés de sequência lógica e o viés de probabilidade. Enquanto alguns vieses cognitivos são inerentemente negativos, levando à tomada de decisões questionáveis, há também o outro lado da moeda, e outros são considerados até positivos, pois podem ajudar às pessoas a tomar decisões mais rápidas e eficientes. Atalhos mentais que o cérebro usa para economia de energia. Num exemplo simples: o viés de confirmação é considerado um viés cognitivo negativo, pois pode levar as pessoas a ignorarem evidências que contradizem suas crenças, enquanto o viés de seleção é considerado um viés cognitivo positivo, pois pode ajudar as pessoas a se concentrarem em informações relevantes e ignorarem informações desnecessárias. História deve ser estudada e não depende de fé ou crenças, sendo assim, ao se deparar com divulgadores de temas relevantes a fatos passados, o método de estudo sempre deve ser levado a considerar provas e evidências, e nunca a falácias e/ou vieses dentro das crenças do interlocutor. O método científico oferece caminhos para evitar as armadilhas cognitivas, isso de forma simples e direta. Em resumo o método parte de uma hipótese, somadas a outras hipóteses coerentes com a primeiras, e que podem ser comprovadas por outros teóricos e pesquisadores de campo. Depois de várias hipóteses comprovadas, esse conglomerado desempenha o alicerce para algo que chamamos de TEORIA. Portanto, quando ver ou ouvir falar de uma TEORIA, então procure pelas hipóteses que constituem as teorias e as bases de evidências dentro de cada hipótese. Então, sim, você terá condições de conferir um material realmente autêntico e sem vieses cognitivos ou falácias distorcendo as coisas. Apesar de serem indesejáveis, os vieses cognitivos são inerentes à natureza humana e, portanto, são extremamente difíceis de evitar. No entanto, a consciência dos vieses cognitivos pode ajudar as pessoas a tomarem decisões mais informadas e, assim, minimizar o impacto negativo desses vieses. Então fique de olho em alguns tipos e exemplos descritos abaixo para não ser enganado tão fácil daqui para frente: • O viés de confirmação é um viés cognitivo que ocorre quando as pessoas buscam, interpretam ou lembram de informações de maneira tal que confirme suas crenças ou hipóteses. Esse viés pode levar as pessoas a ignorarem evidências que contradizem suas crenças, ou até a criarem narrativas que distorcem fatos em prol do que acredita e faz sentido com o que almeja como hipótese. • O viés cognitivo de seleção ocorre quando indivíduos se concentram apenas nas informações que confirmam suas crenças e hipóteses, fruto de atenção seletiva. Enquanto favorecem algumas informações, ao mesmo tempo ignoram o que contradiz suas crenças, e por vezes trabalham em prol de criar novas narrativas para justificar o injustificável. Esse viés pode levar as pessoas a tomarem decisões baseadas em informações incompletas ou distorcidas. Por isso a necessidade de um método de estudo, coerente e coeso, que ajude ao estudante a verificar assuntos de todas as perspectivas possíveis. • O viés de atenção é um que ocorre quando as pessoas prestam mais atenção às informações que confirmam suas crenças e hipóteses, enquanto ignoram as informações que as contradizem. Muito parecido com o viés de seleção, por pequenas nuanças a depender dos interlocutores e tipo de complexidade do tópico abordado. É também uma ferramenta para pessoas que percebem esse tipo de viés e usam de habilidade didáticas e desenvoltura oral para enganar e ludibriar. • O viés cognitivo de recordação acontece a partir do momento que os indivíduos tendem a lembrar mais facilmente das informações que confirmam suas crenças e hipóteses, enquanto ignoram as informações que as contradizem. Em posterior verificações mentais de tópico, a memória age em prol do que ele acredita, e não das evidências gerais que envolvem a hipótese. Esse viés pode levar a decisões baseadas em informações incompletas ou distorcidas, tal como quase todos os vieses negativos. • O viés de comparação é um viés cognitivo que ocorre quando as pessoas tendem a comparar as informações que confirmam suas crenças e hipóteses com as informações que as contradizem. Esse viés pode levar as pessoas a tomarem decisões baseadas em informações incompletas ou distorcidas. • O viés de representatividade é um dos curiosos. Esses praticantes desse viés cognitivo tendem a atribuir mais probabilidade às coisas que são semelhantes às suas crenças e hipóteses do que às que são diferentes delas. Favorecendo mais o que desejam do que de fato se resumem os fatos. Teorias no campo da história longamente aceitas passam até por décadas esperando até que várias hipóteses sejam comprovadas e colocadas à prova, e enfim criam bases para uma nova teoria mais aceita. Logo, esse é o motivo para uma nova teoria delongar tanto para ser aceita no meio científico: hipóteses devem ser verificadas e exaustivamente testadas, só assim podemos eliminar falácias e ter evidências suficientes para que de fato o revisionismo histórico possa acontecer. • O viés de sequência lógica é algo até parecido com algumas falácias, e por vezes podem ser confundidos, pois ele ocorre quando o individuo tende a seguir uma lógica interna consistente, mesmo quando essa lógica é absurda. A partir daí a lógica passa a ser ilógica, mas no conceito mental do individuo sua linha de raciocínio é no máximo único e peculiar, porém nunca errada. • O viés de probabilidade acontece quando alguém subestima as chances de eventos negativos acontecerem e a superestimar as chances de eventos positivos acontecerem. Esse viés pode levar à falência de bens e até a outros tipos de perdas. Ele também é responsável por erros grotescos, porém até aparentemente inteligentes, ou seja, o início de uma falácia pode ocorrer com o suporte do viés de probabilidade. Além desses há inúmeros outros. O mapeamento é extenso e há fontes na internet por todos os lados. Uma ótima forma de passar o tempo e evitar ser enganado por outros e até por você mesmo é estudar um pouco mais sobre cada tema que deseja aprender. Além de também tentar evitar as pílulas de conhecimento fraco e superficial embalado em forma de vídeos de reels, shorts e tiktoks, que desejam apenas um ponto a mais de audiência e monetização: a trend que estiver em alta é o que merece atenção deles, e só se fala o que o público quer ouvir. Afinal de contas: o cliente sempre tem razão. E como tudo que tem um lado ruim, também há o lado do copo meio cheio: as redes sociais podem ser ótimos iniciativos de divulgação científica. Cabe a nós selecionar as melhores opções. Se exigirmos mais e melhor, entregarão mais e melhor. Se não exigirmos, tudo continuará raso e suscetível a erros. Bora aprendermos juntos? Fontes www.psychologytoday.com/ca/basics/cognitive-bias www.verywellmind.com/what-are-cognitive-biases-2795087

  • A controversa história da poetisa Grega, Safo de Mitilene da ilha de Lesbos.

    Conhecendo Safo de Mitilene. Safo (em grego antigo: Σαπφώ, transl. Safo), outros nomes: Psafo, Psafa, Sapho. Foi uma celebre poetisa grega. Sua data de nascimento é incerta, entre 630 AEC. e 604 AEC. Morreu em 570 AEC. Natural da cidade de Mitilene - Lesbos, Grécia. Ela foi contemporânea de Pítaco (foi um estadista e legislador da Grécia Antiga - liderou seu exército à vitória na batalha contra os atenienses), e Alceus ( foi um poeta lírico grego, - esteve constantemente envolvido nas frequentes disputas políticas da ilha e, por isso, foi exilado várias vezes). Era aliado do tirano Pítaco, mas depois tornou-se seu inimigo.. Safo era conhecida por sua poesia escrita para ser cantada ao som da lira, no entanto, a maioria dos poemas de Safo se perdeu ao longo do tempo, (assim como ocorreu com praticamente todos os escritores da antiguidade), e o que sobreviveu se encontra na forma de fragmentos. O único poema completo a chegar aos dias atuais, é o poema intitulado Ode a Afrodite", preservado por Dionísio de Halicarnasso em sua obra sobre a composição dos nomes; mas há fragmentos considerados suficientemente inteiros, como os do poema Titônio, fragmento 16, fragmento 31 e o Poema dos Irmãos. Filha de uma família rica, fundou uma escola para mulheres, onde estudavam filosofia e poesia em uma época que tais estudos eram mais voltados para os homens. Safo era reconhecida e tratada como "a poeta", tal qual Homero era tratado como "o poeta". Seu prestigio era grande e foi uma das poucas poetisas a retratada em cerâmica, uma honra na época. Safo ensinava também poesia, dança, arte e música para suas alunas, além de atividades físicas e concursos de beleza. Essa escola tinha muito sucesso e vinham mulheres de várias locais para serem alunas de Sapho. As alunas eram chamadas de alunas de hetaera (companheiras). Safo, ensinava as alunas a serem “mulheres completas”, ou seja: graciosas, femininas, elegantes, inteligentes e cultas segundo a ideia de feminilidade de Safo, no entanto, a sexualidade de Safo era bastante controversa, tanto, que ao longo da história, a ilha de Lesbos, onde Safo nasceu, e as mulheres que viviam nela, foram rotuladas de diversas maneiras, mas muito certamente era devido ao afeto que Sapho tinha por suas alunas ter sido, digamos, "mal interpretado". Tanto que o termo lésbica, que nos dia atuais, é frequentemente utilizado para se referir a mulheres homossexuais, só passou a ser utilizada nesse sentido recentemente, mais precisamente a partir do final do século XIX (🤦🏻‍♂️ o século das inversões) e passou a ser aplicada início do século XX. Na antiguidade a palavra lésbica possuía outro significado; durante muito tempo na Grécia antiga o termo lesbiazein, que deriva da palavra Lesbos, significava felação, mais especificamente ´o ato de uma mulher fazer sexo oral em um homem´, e a palavra lésbica era usada frequentemente, como um sinônimo de cortesã, ou prostituta. Com essa confusão e inversão feita a partir do século XIX, houve uma maior discussão acerca da sexualidade de Safo. Os que defendem a teoria de que Safo era homossexual, utilizam fragmentos poéticos de Safo, nos quais ela demonstra grande afetividade por suas amigas ou discípulas. Para muitos, pesquisadores(as) modernos, os poemas escritos por Safo para suas discípulas, como o poema para Attis não representavam uma atração homossexual, mas sim o amor fraternal, afetividade e o carinho que Safo tinha por elas. Assim sendo, o significado da palavra Lésbica deriva dos poemas de Safo, que nasceu em Lesbos e que escreveu poemas de cunho emocional direcionado para outras mulheres. Turismo LGBT: E é devido a essa associação, que Lesbos e em especial a cidade de Eresos (também em Lesbos), é frequentemente visitada por turistas LGBT. Em 2008, um grupo da população de Lesbos solicitou o banimento judicial do termo "lésbica" para designar mulheres homossexuais, com a justificativa de que seus direitos humanos estariam sendo "insultados" e envergonhados ao redor do mundo. Um grupo de três residentes apelou à justiça, mas perdeu o processo judicial contra a comunidade LGBT da Grécia, tendo que arcar com as despesas judiciais de €230. Registros históricos e bibliográficos: Pouco se sabe sobre a vida de Safo. Uma das poucas fontes contemporâneas sobre a poetisa, que poderia fornecer alguma informação sobre sua vida, seriam seus poemas, entretanto, eles não podem ser considerados como relatos biográficos de sua vida, e muitos estudiosos relutam em fazê-lo, tendo em vista que os poemas de Safo eram feitos para serem declamados em público, em cerimônias religiosas, banquetes, e outros eventos. Outra fonte para a vida da poetisa seria o Testimonia (testemunhos), um conjunto de referências biográficas e literárias, coletadas por autores da antiguidade. Os relatos do Testimonia, não datam da época de Safo, mas foram escritos por pessoas que tiveram muito mais acesso a poesia de Safo do que temos hoje em dia, no entanto, é difícil saber até que ponto estes relatos estão corretos ou não. Fragmentos poéticos de Safo: "Antigamente, era assim que dançavam a essa hora, as mulheres de Creta; ao som da música, ao redor do altar sagrado dançavam, calçando sob os pés delicados as flores tenras da relva. "A Lua já se pôs, e as Plêiades; é meia- noite; a hora passa e eu deitada estou sozinha Vieste, e fizeste bem. Eu esperava, queimando de amor; tu me trazes a paz. Queimo em desejo e anseio por…. Mãe querida, não posso mais te tecer a trama -queimo de amor por um lindo rapaz: a culpa é de Afrodite, a delicada - : Virgindade, virgindade, onde estás, após abandonar-me, tendo ido embora? : Nunca mais voltarei para ti, nunca mais!" Escola para mulheres: Por sua posição social e política, Safo e sua família foram exilados para a Sicília quando ela ainda era jovem. Após alguns anos de exílio, a poetisa retornou à ilha de Lesbos e, em Mitilene, inaugurou uma escola para mulheres e nessa escola estudava-se filosofia e poesia, em uma época onde o estudo era direcionado somente ao público masculino, a proeminente escola de Safo, mais tarde, sofreu perseguições e distorções históricas. Mais um fragmento poético: "No topo do galho mais alto, perdida pelos coletores a maçã avermelha, não por ter sido esquecida, mas por não terem conseguido alcançá-la" Safo escrevia sobre dores e prazeres, e é perceptível em seus poemas uma linguagem autônoma, feminina e fluida. Não se sabe como Safo colocou seus poemas em circulação, mas é fato conhecido que as mulheres passavam os poemas para suas filhas via tradição oral. Sua poesia foi muito reconhecida e admirada pelos grandes homens de sua época. Safo gostava de adjetivar seus personagens relacionado-os a cores: "A garota tem o cabelo mais dourado que uma tocha". "Muito mais branco que o ovo". "Dama de braços dourados". Nos séculos III AEC e II AEC, dois estudiosos pertencentes à Escola de Alexandria, Aristófanes de Bizâncio e Aristarco de Samotrácia, coletaram e editaram seus poemas em nove livros de acordo com a métrica. Sua poesia de conteúdo considerado erótico foi censurada pelos copistas medievais ou se perdeu com o tempo, assim como ocorreu com outros poetas e pensadores da antiguidade, por isso, restaram apenas alguns fragmentos das obras de Safo. Desmascarando a suposta homossexualidade de SAFO: A pouca quantidade de fatos biográficos sobre a vida de Safo e a interpretação equivocada de seus poemas e mais frequentemente de seus fragmentos, torna a questão acerca da sexualidade de Safo bastante controversa. Ao longo da história, a ilha de Lesbos, onde Safo nasceu, e as mulheres que viviam nela, foram rotuladas de diversas maneiras. Na Grécia Antiga, a Ilha, segundo Luciano de Samósata, era um local de amores "depravados". Hesíquio de Alexandria, em defesa das calúnias contra Safo, disse que "às mulheres de Lesbos foram dirigidas acusações infundadas". Mas foi a partir do século XIX houve uma maior discussão acerca da sexualidade de Safo. Os que defendem a teoria de uma Safo homossexual, utilizam fragmentos poéticos de Safo, nos quais ela demonstra grande afetividade por suas amigas ou discípulas. Porém, a ausência de uma homossexualidade explícita nos seus poemas, levaram alguns escritores e escritoras modernos a criarem poemas homossexuais e atribuir estes à poetisa ou a suas seguidoras. A farsa mais famosa é um conjunto de poemas chamados "As canções de Bilitis", um conjunto de poemas homossexuais atribuídos erroneamente a uma poetisa chamada Bilitis que teria vivido no século VI AEC, mas, com o passar do tempo, descobriu-se que na verdade ela nunca existiu e seus poemas haviam sido escritos no século XIX, pelo poeta francês Pierre Louys e não por uma poetisa grega. Para muitos, pesquisadores(as) modernos, os poemas escritos por Safo para suas discípulas, como o poema para Attis não representavam uma atração homossexual, mas sim o amor fraternal, a afetividade e o carinho que Safo tinha por elas. Estes poemas foram interpretados de maneira equivocada, maliciosa ou fora de contexto. Para outros, o eu lírico dos poemas em que Safo utiliza a primeira pessoa ou o pronome pessoal "eu", devem ser interpretados como "nós", tendo em vista que era hábito entre poetas antigos usar a primeira pessoa mesmo quando o poema era direcionado à terceira pessoa, ou quando eram feitos para serem cantados por corais em cerimônias religiosas. Sendo assim o personagem narrador dos poemas de Safo na verdade seria um elemento literário, não uma declaração pessoal de amor. O Suda registra que Safo foi acusada de maneira caluniosa de ter amizades vergonhosas, mas não especifica exatamente que tipo de amizades seriam estas, o que dá margem a muitas interpretações diferentes, e muitos autores acreditam que estas acusações injuriosas, tenham sido forjadas por inimigas ou rivais da poetisa e de sua família. Outro ponto que vai contra a teoria de uma Safo homossexual é o fato de que alguns dos poemas atribuídos como sendo declarações de amor da poetisa por outras mulheres, na verdade eram epitalâmios, ou seja cânticos nupciais, ou religiosos, feitos sob encomenda e que faziam parte da tradição do casamento na Grécia antiga. Eles consistiam num elogio público e solene, dirigido ao cônjuge de maior condição social, recitado por um coral e que exaltava as qualidades dos noivos para chamar a atenção dos deuses, principalmente Himeneu o deus das boas núpcias, para que esses deuses dessem suas bênçãos ao casal. Conclusão: Acredita-se hoje, devido a pesquisas arqueológicas, que existiram duas mulheres com o nome de Safo, uma nasceu em Eresos e foi uma (ἑταῖραι) cortesã, enquanto outra nasceu em Mitilene, e esta seria a brilhante poetisa, contemporânea de Alceus, casada com Cércolas e com o passar do tempo, as duas acabaram sendo confundidas. Do ponto de vista histórico, apenas podemos dizer que Safo de Mitilene foi casada com Cércolas de Andros, e que teve com ele uma filha de nome Cleis, depois de ficar viúva, não existem mais registros de outros relacionamentos, embora alguns fragmentos poéticos aparentemente escritos na sua velhice, indiquem que ela desejaria se casar novamente se ainda fosse jovem, e se ainda pudesse ter filhos. Sobre sua filha, Safo escreveu: "Eu tenho uma filha linda, dourada como uma flor, minha amada Cleis". Filme: Na antiga Mitilene, um jovem guerreiro, Faon, lidera uma revolta contra o domínio do déspota Melanchrus. Ferido em batalha, Faon refugia-se no templo de Afrodite, onde ele se apaixona pela bela Safo, mas quando uma das donzelas do templo o trai, ele é forçado a fugir de Mitilene de barco. Elenco de Safo, a Vênus de Lesbos Enrico Maria Salerno Melanchrus Kerwin Mathews Phaon Riccardo Garrone Hyperbius Susy Andersen Actis (as Susy Golgi) Tina Louise Sappho Curiosidades: Safo, mesmo com seu exílio, teve grande influência na Grécia antiga e foi em Atenas, uma referência da autoridade feminina moldada pela Comédia Nova. Safo era sacerdotisa de um culto religioso (thíasos), também supostamente uma professora de um coro feminino ligado às festividades do casamento e dedicado às Musas, às Graças e à deusa Afrodite, com ensinamentos voltados às jovens solteiras que estavam prestes a se casar e que se dedicavam ao aprendizado da música e da poesia. Os atenienses pensavam sobre Safo pelos relatos de Ateneu. O poeta falava dos rituais, dos banquetes privados relativos ao komós grego e de suas etapas, relatando uma Safo simposiasta e que interpretava canções de amor. Safo era tema central de inúmeras peças na Atenas clássica. Chegaram até os dias de hoje somente fragmentos de seis comédias com o título Safo, utilizados nas obras escritas por Ameipsias, Amfis, Antífanes, Dïfilos, Efippos e Timocles. Na comédia, Safo era muito representada com grande interesse por jovens e na obra de Antifanes, Safo seria representada como poetisa e uma adivinhadora de enigmas. No início do século XIX foram descobertos fragmentos de poemas referentes a Safo em Oxirrinco no Egito, com críticas sobre como ela era vista no século V a.C. como uma mulher imoral. Bonus: O poema que trazemos abaixo é um dos poucos que sobreviveram em uma extensão considerável. Conhecido como “frag.2” (2003) ou como “frag.31” (2005) na catalogação de referência feita pela filóloga alemã Eva-Maria Voigt, esse poema de Safo integra os chamados Papiros de Oxirrinco, uma coleção arqueológica encontrada no Egito durante os séc. XIX e XX. A tradução é da tradutora, pesquisadora, professora titular de língua e literaturas gregas da Faculdade de Letras da UFMG e membro da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (SBEC) Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa. Φαίνεταί μοι κῆνος ἴσος θέοισιν ἔμμεν᾿ ὤνηρ, ὄττις ἐνάντιός τοι ἰσδάνει καὶ πλάσιον ἆδυ φωνεί– σας ὐπακούει καὶ γελαίσας ἰμέροεν τό μ᾿ἦ μὰν καρδίαν ἐν στήθεσιν ἐπτόαισεν· ὠς γὰρ <ἔς> σ᾿ἴδω βρόχε᾿ ὤς με φώνη– σ᾿οὐδὲν ἔτ᾿εἴκει, ἀλλὰ †κᾱμ† μὲν γλῶσσα †ἔᾱγε† λέπτον δ᾿αὔτικα χρῶι πῦρ ὑπαδεδρόμηκεν, ὀππάτεσσι δ᾿ οὐδὲν ὄρημμ᾿, ᾿πιβρό– μεισι δ᾿ ἄκουαι, †ἔκαδε† μ᾿ ἴδρως κακχέεται, τρόμος δὲ παῖσαν ἄγρει, χλωροτέρα δὲ ποία ἔμμι τεθνάκην δ᾿ ὀλίγω ἐπιδεύσην φαίνομ᾿ ἔμ᾿ αὔ ̣τ[αι ἀλλὰ πὰν τόλματον, ἐπεὶ †καὶ πένητα† Safo (31Voigt) apud Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa. Abaixo, outro registro do mesmo poema: φαίνεταί μοι κῆνος ἴσος θέοισιν ἔμμεν’ ὤνηρ, ὄττις ἐνάντιός τοι ἰσδάνει, καὶ πλάσιον ἆδυ φωνεί- σας ὐπακούει καὶ γελαίσας ἰμέροεν, τό μ’ ἦ μὰν καρδίαν ἐν στήθεσιν ἐπτόαισεν· ὠς γὰρ ἐς σ’ ἴδω βρόχε’, ὤς με φώναι- σ’ οὐδ’ἒν ἔτ’ εἴκει· λλ’ ἄκαν μὲν γλῶσσα †ἔαγε†, λέπτον δ’αὔτικα χρῶι πῦρ ὐπαδεδρόμηκεν, ὀππάτεσσι δ’ οὐδ’ ἒν ὄρημμ’, ἐπιρρόμ- βεισι δ’ ἄκουαι· κὰδ δέ μ’ ἴδρως ψῦχρος ἔχει, τρόμος δὲ παῖσαν ἄγρει, χλωροτέρα δὲ ποίας ἔμμι, τεθνάκην δ’ ὀλίγω ᾿πιδεύης φαίνομαι † λλὰ πὰν τόλματον, ἐπεὶ † καὶ πένητα Safo (Voigt frag.2) apud Fabíola Menezes Araújo. Fulgura como os deuses um que me surge, varão, que, diante de ti, se assenta, e, junto, dócil a que fala e ri ardente escuta, e isso, de pronto, me desatina no peito o coração! Pois, no que te vejo, súbito eu nada mais sei falar, assim, logo se me engrola a língua; sutil, num átimo, um fogo dispara sob a pele e, nas vistas, nada diviso; os ouvidos trovoam, daí, suor me poreja de alto a baixo, então, tremuras me tomam toda, orvalhada fico, mais que a relva, com pouco lassa, morta figuro estar, e, toda impudente, baldia já… Tradução: Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa. Hino a Afrodite, de Safo de Lesbos, musicado e cantado em grego: E ai, pessoal? Gostaram desse artigo? Deixe seu like. Instagram e Facebook ArqueoHistória >>> Instagram Facebook. Minha pagina no Instagram -- Aletheia Ágora em http://instagram/aletheia_agora Obrigado pela leitura e até o próximo POST Um abraço FLAVIO AMATTI FILHO www.instagram.com/aletheia_agora/ Bibliografia, Fontes e Referencias: Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa. Safo 31 Voigt – mil traduções e mais uma. Revista da Anpoll, Campinas, v. 1, n. 44, p. 231-245, 2018. Disponível em: https://revistadaanpoll.emnuvens.com.br/revista/article/view/1142. Fabíola Menezes Araújo. Fenomenologia de Eros e de Afrodite em Safo. Ekstasis: Revista de Hermenêutica e Fenomenologia, Rio de Janeiro, v. 8, n. 2, p. 91-111, 2019. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/Ekstasis/article/view/46756. Eva-Maria Voigt. Sappho and Alcaeus: fragmenta. Amsterdam: Athenaeum-Polal & Van Gennep, 1971. Giuliana Ragusa. Fragmentos de uma deusa: a representação de Afrodite na lírica de Safo. Campinas: Editora Unicamp, 2005. ↑ DEMARCHI, 2010, p.136 ↑ Ir para:a b c Jhon Lempriere, D.D (1833). A Classical Dictionary; containing, a copious account of the principal proper names mentioned in ancient authors with the value of coins, wheights, and measures, used among the greeks and romans; and a chronological table. Nova York: [s.n.] ↑ Freeman 2016, p. 208 ↑ Rayor, Diane; Lardinois, André (2014). Sappho: A New Translation of the Complete Works. 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  • Paralelos entre o Enuma Elish e o Gênesis.

    Na internet, é comum vermos comparações entre as passagens descritas na Bíblia e os mitos e lendas descritos em diversas tabuletas mesopotâmicas, sendo as duas mais comparadas, o Gênesis bíblico e o Enuma Elish babilônico. Neste breve estudo, analisaremos paralelos entre os dois. Este artigo não visa mudar opiniões religiosas, apenas evidênciar semelhanças e diferenças entre o mito da criação babilônica e alguns contos utilizados pelos Hebreus nos livros bíblicos, os quais descrevem a criação do mundo, do homem e outros. Para isso, começaremos resumindo um pouco do que são o Enuma Elish e o Gênesis. O ENUMA ELISH. O Enūma Eliš ou (Enuma Elish), 𒂊𒉡𒈠𒂊𒇺 em cuneiforme babilônico (neo-acadiano), significa (quando no alto), também conhecido como "As sete tábuas da criação". Trata-se do mito da criação babilônico, descoberto por Austen Henry Layard em 1849, em tabuletas de argila fragmentadas, nas ruínas da Biblioteca de Assurbanipal em Nínive (Iraque), e publicado por George Smith em 1876. Existem diversas versões do Enuma Elish, incluindo versões Hititas e Assírias, a versão da Biblioteca de Assurbanipal é a mais nova, datando de aproximadamente 1100 a.e.c., porém, existem versões acadianas e babilônicas que datam de aproximadamente 2.000-1800 a.e.c. Para este artigo, utilizaremos a versão babilônica, que embora não seja a mais completa, está mais próxima da origem do mito do que as demais. O Enuma Elish tem cerca de 1000 linhas escritas em cuneiforme neo-acadiano, sobre sete tábuas de argila, cada uma com um numero entre 115-170 linhas de texto. As tabuletas estão bastante destruídas, mas de acordo com uma cópia idêntica encontrada em, Sultantepe, antiga Huzirina, podemos vislumbrar os trechos que estão faltando nessa versão. Tal cópia foi perdida em um incêndio no Museu Nacional do Iraque, em 1952, mas ainda existem transcrições da mesma. Este épico é uma das fontes mais importantes para a compreensão da cosmovisão babilônica, centrada na supremacia de Marduk (ou Marduque), e na criação da humanidade para o serviço dos deuses. Seu principal propósito original, no entanto, não é uma exposição de teologia ou teogonia, mas a elevação de Marduk, o deus chefe da Babilônia, acima de outros deuses da Mesopotâmia, tendo em vista que eles usaram as crenças acadianas, e as adaptaram a sua cultura. O Gênesis Do grego, (Γένεσις,) "origem", "nascimento", "criação", "princípio", é o primeiro livro tanto da Bíblia Hebraica como da Bíblia cristã, antecede o Livro do Êxodo, fazendo parte dos 5 livros do Pentateuco. Gênesis é o nome dado pela Septuaginta ao primeiro destes livros, ao passo que seu título hebraico é Bereshit (No princípio). O Livro traz a visão da criação do mundo na perspectiva hebraica, até à fixação deste povo no Egito, através da história de José. Durante muito tempo a Bíblia e em particular o Gênesis, foi a mais antiga fonte de relatos escritos sobre o começo do mundo, da vida, e sobre os acontecimentos dos povos do Antigo Oriente Médio. A maioria dos estudiosos bíblicos modernos acredita que a Torá chegou à sua forma presente no período pós-exílio (depois de 520 a.e.c.). Tenha em mente que tradições mais antigas, tanto orais quanto escritas, detalhes geográficos, demográficos e as realidades políticas da época, foram levadas em consideração. Os cinco livros são geralmente descritos na hipótese documental como se baseando em quatro fontes, entendidas como escolas literárias e não indivíduos: a fonte javista e a fonte eloísta (entendidas como uma única fonte), a fonte sacerdotal e a fonte deuteronomista. Ainda há discussões sobre a existência e origem das fontes não-sacerdotais, mas a tese majoritária é que estas existiram e são posteriores ao exílio. O Mito Para entendermos o contexto desta pesquisa, precisamos primeiro entender o que é um mito e quais os tipos de mito, e é o que faremos agora. Os mitos se mostram atemporais, são criados de acordo com a realidade de cada povo e cultura, para assegurar sua identidade e crenças, isto é, os mitos são moldados para satisfazer os anseios de uma sociedade. Everaldo Rocha em “O que é Mito? ” (2001, p. 7) nos dá uma visão esclarecedora a respeito deste assunto. Afirma que que: “Mito é uma narrativa, uma forma das sociedades espelharem suas contradições e exprimirem seus paradoxos, dúvidas e inquietações”. Já para Gerd Theissen, os mitos são histórias provenientes de um tempo determinante para o mundo, resquícios de uma era antiga e obscura da qual não se tem total entendimento. Para ele, os mitos não podem ser modernos, pois nos dias atuais seria propriamente impossível a criação de mitos, tendo e vista a evolução tecnológica e mental do ser humano atual. Já Severino Croatto diz: “mito é a definição de um acontecimento originário de atos dos deuses, cuja finalidade é “dar sentido a uma realidade significativa”. Bom, para min o mito não é uma simples narrativa qualquer, se fosse, perderia sua especificidade e seria comum que todas famílias tivessem mitos próprios em suas histórias. Ao meu ver o mito seria uma narrativa especial, capaz de ser distinguida das demais narrativas humanas comuns. Não que este mito seja real e tenha acontecido, mas o contexto em que ele foi criado pode nos identificar mais do que o próprio mito em si. O que nos importa entender é que, independentemente do significado da palavra mito, é notável que os corpos celestes assumem sempre posição de destaque na inspiração mito poética antiga. Para algumas culturas o sol tem o papel central, representa o deus criador e a vida, quando que em outras a lua tem maior influência devido ao fato de suas fases estarem relacionadas com eventos terrestres, como a maré e etc. Sendo assim, é óbvio e até lógico, que a grande maioria dos povos antigos descrevam "deuses que vieram do céu". Ora, a luz, que dava vida as colheitas, vinha do sol que está no céu, a chuva, que irriga e dá a vida aos animais e homens, vinha do céu, a lua, que ilumina e noite está no céu. Enfim, tudo que o homem antigo identificava como importante para a sua vida estava em cima, no céu, portanto, estranho seria se eles não descrevessem deuses vindo dos céus, você não acha? Mas voltando ao assunto do artigo, chegamos à duas conclusões: A primeira que existem pesquisadores que negam o valor do mito, o enxergam como algo simples, apenas inventado por pessoas que não tinham conhecimentos. A segunda é que existem pessoas que acreditam na importância dos mitos, entendendo que ele traz consigo uma mensagem que não está escrita de forma clara, transparente, mas que pode ser interpretada não pelo que está escrito, mas pelo contexto conhecido da época. O mito foi e é estudado até hoje por diversas correntes, e é importantíssimo que historiadores e arqueólogos entendam seus tipos e diferenças, a fins de gerarem uma visão menos fantasiosa e mirabolante, como vemos á rodo nos canais de entusiastas. Analisaremos agora possíveis influências tidas pelos hebreus, na época da produção do Gênesis. A Influencia de Outras Culturas Como já foi dito, o Enuma Elish e o Gênesis compartilham diversas similaridades, tantas que muitos estudiosos afirmam que é a mesma história que foi adotada e posteriormente modificada em certos pontos pelos Hebreus. Sabemos que os Babilônios adotaram a cultura e as crenças dos acadianos, que fizeram o mesmo com os Sumérios, e nesse contexto, fica claro aos olhos que os Hebreus fizeram o mesmo com os Babilônios. Poderíamos evidenciar esse acontecimento apenas usando a lógica, ao ler o livro de gênesis, logo no início é contada a história da Abraão, que como sabemos, foi o precursor da religião cristã e há quem diga até que da Grega também. O trecho em questão pode ser encontrado em Gn 12: 31-32, e confirma que Abraão era natural da cidade de UR dos Caldeus. É importante entender que existe uma contradição aí, pois neste período indicado no livro bíblico, a cidade de Ur estava sob controle de um povo chamado Ur-kardim, que para alguns pesquisadores são os próprios Caldeus, para outros não, porém, isto é assunto para um outro artigo, que postaremos futuramente. De qualquer jeito, é claro que, seja qual for a época que Abraão tenha saído de UR, sua crença era mesopotâmica, seus mitos eram mesopotâmicos e logicamente, todo ensinamento que poderia ter sido passado por ele, era de origem mesopotâmico. O ser humano é e sempre foi influenciado pelo meio em que vive, o contato com outros povos e culturas possibilita uma mudança de mentalidade que resulta na maneira de agir. Como sabemos o povo hebreu teve contato com vários povos e culturas, embora não tenham sido contatos pacíficos, continuam servindo ao termo contato, uma vez que eram aprendidos e incorporados mitos e crenças e hábitos destes demais povos. Decisivamente marcante foi o contato dos hebreus com os babilônios e sua cosmovisão, como já foi citado. Durante o período do exílio, por volta século VI a.e.c., o povo hebreu precisou fazer uma releitura de sua própria história a fins de encontrar maneiras de conservar e assegurar sua identidade. Posteriormente, muitas das escritas contidas no antigo testamento foram revistas, algumas modificadas, outras retiradas, outras adicionadas, mas nos manteremos falando apenas do inicio Gênesis, por enquanto. Nesse contexto, podemos concluir que cada cultura e cada povo tem seu modo de conceber e contar as histórias que lhes foram vividas ou passadas, mas também que são influenciados por histórias, mitos e lendas de outros povos. Veremos agora como os Babilônios e os Hebreus relataram a obra da criação, a seguir faremos a comparação de alguns trechos contidos no Enuma Elish e no Gênesis. Enuma Elish O Enuma Elish inteiro possui mais de 1000 linhas, sendo assim, resumiremos a história das tábuas, mantendo os pontos mais relevantes e posteriormente especificando os trechos na hora da comparação. Os três nomes mais importantes que constam no Enuma Elish são: Apsu - masculino, água doce, progenitor, Tiamat - feminino, água salgada, caos, abismo, representada por um monstro marinho e Marduk, filho de Enki. Alguns pesquisadores consideram que está é a Trindade Babilônica. Quando no alto os céus não tinham nome, e em baixo a terra não fora nomeada, havia senão o primordial Apsu, águas doces, progenitor, e a tumultuosa Tiamat, águas salgadas, o útero de tudo. E então a partir de Apsu e Tiamat, nas águas dele e dela, foram criados os deuses, e para dentro das águas precipitou-se a terra. A discórdia rompeu entre os deuses, apesar de serem irmãos, eles começaram a festejar e também brigar, fazendo tudo tremer, como numa dança frenética, de tal forma que Apsu não pode silenciar o clamor dos jovens deuses, fazer cessar tal mal comportamento. Então estes novos deuses começaram a incomodar Apsu e Tiamat, pois são demasiadamente tumultuosos e Apsu decide matá-los. Tiamat, ainda estava quieta quando Apsu, chamou por seu conselheiro Mummu: “Caro conselheiro, vem comigo a Tiamat”. Eles assim o fizeram e em frente a Tiamat, se sentaram falando sobre os jovens deuses, seus filhos primogênitos. Disse Apsu: “Os modos deles me revoltam, dia e noite, sem cessar, sofremos. Minha vontade é destruí-los, todos eles, para que possamos ter paz e dormir novamente”. Então Mummu aconselhou Apsu: “Pai, destrua-os todos numa rebelião de monta e teremos paz durante o dia e à noite, todos poderemos dormir”. Quando Apsu ouviu que os dados haviam sido lançados contra seus filhos e filhas, sua face inflamou-se com o prazer do mal; mas a Mummu ele abraçou, pendurou-se ao seu pescoço, colocou-o nos seus joelhos e o beijou. O deus Ea, também conhecido por Enki, descobre o plano, antecipa-se e mata Apsu. Posteriormente, Damkina, esposa de Enki, dá à luz Marduk, entretanto, Tiamat, enraivecida pelo assassinato de seu marido, jura vingança, criando doze monstros para executar sua vingança. Tiamat casa com o deus Kingu, um desses monstros, o mais forte de todos e coloca-o à frente de seu novo exército. As forças que Tiamat reuniu preparam-se para a vingança, entretanto, Enki descobre o plano e confronta-a, mas é derrotado. Anu, pai de Enki, um dos deuses mais fortes até então, desafia-a, mas tem o mesmo destino. Os deuses começam a temer que ninguém seria capaz de deter Tiamat. Foi Então que Marduk, que estava quieto até então, convence os outros Deuses de que pode vencer Tiamat, com a condição de que se o fizer, em troca deverá ser nomeado o Deus dos deuses, a deidade mais forte e mais respeitada dentre todas. Os deuses aceitam a proposta de Marduk, que reúne as armas, magias dos quatro ventos e ainda os sete ventos da destruição, e segue para o confronto. A batalha se inicia e perdura por horas, até que Marduk prende Tiamat numa rede e conjura os poderes dos ventos, que entram na boca de Tiamat a mantendo aberta e incapacitando-a de conjurar magias. Após isto, Marduk mata-a com uma seta (lança ou flecha) que entra pela boca de Tiamat e a atinge no coração. Marduk divide o corpo dela, usando metade inferior para criar a terra, e a metade superior para criar o céu. Marduk cria residências para os outros deuses e à medida que estes vão ocupando o seu lugar, vão sendo criados os dias, meses e estações do ano, o que retrata a criação dos astros celestes, bem como a percepção de contagem temporal. Da saliva de Tiamat, Marduk cria a chuva, e a cidade da Babilónia é criada sob a proteção dele. Agora os deuses reclamavam para o novo deus supremo que não tinham ninguém para os adorar ou trabalhar por eles, então Marduk decide criar os seres humanos. Mas precisa de sangue divino para criar a vida, então ele decide que um dos deuses deverá morrer, o culpado de lançar o mal sobre os outros. Marduk consulta os outros deuses e descobre que quem incitou a revolta de Tiamat foi o seu marido, Kingu, então Marduk o mata, dá seu sangue para Enki, que usa o sangue e argila para criar o Homem, de forma a que este sirva os deuses e os adore. Está é a história principal passada pelo poema Babilônico, não achamos necessário resumir a história Bíblica, pois subentendemos que você conheça o texto de Gênesis, ou que no mínimo tenha uma Bíblia em casa, ou use uma versão online para acompanhar os trechos que citados. Analise e Comparação No capítulo anterior citamos resumidamente a história principal contida no Enuma Elish, agora, selecionaremos algumas partes do poema original para fazer as comparações almejadas. O texto do poema Enuma Elish que usaremos para fazer a comparação foi traduzido a partir do texto Frederico Lara Peinado (2008), já o texto Bíblico foi extraído da Bíblia de Jerusalém (2002), que é tida como a mais fiel ao texto original (há controvérsias). O texto babilônico é composto por sete tábuas, o que já faz menção aos 7 dias da criação do mundo, segundo o Gênesis. Nota-se que até isso é semelhante, no Gênesis o mundo é criado em 7 dias, provavelmente por que a história que originou o texto continha 7 tábuas. Gênesis I “No princípio, Deus criou o céu e a terra, Ora, a terra estava vazia e vaga, o caos cobria o abismo e um sopro de Deus agitava a superfície das águas. Deus Disse: “Haja Luz” e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz e as trevas. Deus Chamou a Luz de “Dia” e as trevas de “noite”. Houve uma tarde e uma manhã: este foi o primeiro dia. (Bíblia de Jerusalém, 2002, Gn 1,1-5). ENUMA ELISH (Tabua I) “Quando no alto o céu ainda não havia sido nomeado, e abaixo, a terra firme não havia sido mencionada com um nome, só Apsu, seu progenitor, e a mãe Tiamat, a geradora de todos, mesclavam suas águas: ainda não se haviam aglomerado os juncos, nem os canaviais tinham sido vistos. Quando os celestes ainda não haviam aparecido, nem tinham um nome, nem fixado nenhum destino, os deuses foram criados”. Enquanto o poema babilônico conta a criação do mundo a partir de dois princípios primordiais (Apsu e Tiamat), O Gênesis retrata o mesmo evento, mas advindo de um só Deus. Percebemos que os dois textos remetem a um tempo longínquo, onde nada havia sido ainda criado, e percebe-se também que as duas narrativas poéticas têm a mesma estrutura ao iniciarem sua construção literária, enfatizando o vasto vazio antes da criação. Um ponto que chama atenção é a relação entre a água e o caos, no poema babilônico pode-se notar a descrição do universo primitivo como uma confusão de águas personificadas pelo casal divino Apsu e Tiamat. Apsu era o princípio cósmico masculino, uma espécie de abismo primordial, formado pelas águas doces, como é descrito mais à frente na tabua I. Já Tiamat era o princípio cósmico feminino, personificada pelas águas salgadas. No poema babilônico as águas doces e salgadas encontram-se intimamente confundidas e misturadas, o que remete ao caos citado no texto de Gênesis, como se nada tivesse forma ou objetivo concreto, como se tudo fosse apenas um grande oceano de águas doces e salgadas, um caos dominante. Quando Apsu e Tiamat se unem com o objetivo de criar o mundo, eles separam suas águas, ordenando-as diferentemente, do mesmo jeito que Deus separa a luz e as trevas em Gênesis. Agora as águas doces e salgadas estavam separadas, assim como a luz separada das trevas, confirmando que o caos chegara ao fim, seguido de uma nova era de ordem e Luz. Na versão bíblica, a luz é a primeira obra de Deus realizada pela palavra: “E Deus disse: Haja luz. E houve luz”. Neste contexto, percebemos que a luz independe de fonte, independe do Sol, de algo que a produza, a voz divina chama e é obedecida, a palavra é direta e eficaz. Nesse sentido, podemos crer que esta luz criada no primeiro dia remete à ordem que vinha iluminar a desordem do caos. Nota-se que as trevas não foram chamadas à existência, isto por que a noite é um resíduo da escuridão do caos, este, que já existia desde o princípio. (Para a cosmovisão dos povos da época, obviamente.) Ainda falando da criação da luz, o termo “E houve luz”, faz da luz uma “criatura” de Deus, isto para não relacionar a origem da luz ao sol, que foi criado apenas no quarto dia da criação segundo Gênesis. Isso acontece por que os hebreus não queriam que o sol fosse venerado como um deus, como acontecia em diversas culturas antigas. Eles não queriam isso justamente para não serem comparados a outras culturas que o faziam. A tábua I, referindo-se à questão do nome, na versão babilônica, diz: “Quando os celestes ainda não haviam aparecido, nem tinham um nome”. Analisando isso podemos concluir que ter um nome é o mesmo que a existir. Não o ter, implica em não existir, pois as coisas só são reconhecidas após serem nomeadas, a partir disso entendemos a importância do nome, para as culturas daquela época. Existem também diferenças. Apsu e Tiamat, necessitam um do outro para dar criação as coisas, enquanto no texto bíblico, Deus apenas fala e as coisas acontecem. Só ele existia e somente ele era necessário para criar tudo. “E deus disse: Haja Luz. E houve Luz”. Nota-se a onipotência do deus hebreu, coisa que não acontece no poema babilônico. Outro ponto que demonstra essa diferença proposital nos poemas, é que o Enuma Elish retrata uma batalha entre a ordem e o caos desde o princípio. Deuses se revoltando, lutando uns contra os outros, matando uns aos outros, enquanto no Gênesis não há lutas entre deuses. Não há vingança e assassinatos, somente um Deus onipotente que não precisa de nada para criar tudo, demonstrando supremacia. Firmamento Gênesis 1 “Deus disse: Haja um firmamento no meio das águas e que ele separe águas das águas. E assim se fez. Deus fez o firmamento que separou as águas sob o firmamento das águas que estão acima dele, e Deus chamou o firmamento de céu. Houve uma tarde e uma manhã, era o segundo dia. Deus disse: que as águas acima se reúnam num só lugar, e que apareça o continente. E assim se fez. Deus chamou o continente de terra e as águas ao seu redor de mares, e Deus viu que isso era bom” (Bíblia de Jerusalém, 2002, Gn, 1,6-10) ENUMA ELISH (Tábua IV) “Com a cabeça repousada, Marduk contemplava o cadáver de Tiamat. Dividiu logo a carne monstruosa para criar maravilhas. Dividiu em duas partes, como se fosse um peixe destinado a secagem, e usou a metade de cima para criar o céu em forma de abóbada. Com a metade inferior, ele criou a terra, a situou no meio das águas que chamou de mares, e colocou guardiões, cuidando para que estas não saíssem das águas” (Tábua 4, linhas 128-135) O tema firmamento está presente nas duas obras, como já citamos. Na versão babilônica, Marduk mata Tiamat e dos restos mortais de seu corpo e argila, forma o universo. Na versão bíblica, Deus mais uma vez, por meio de sua palavra criadora, faz com que surja um firmamento separando as águas que estão acima, das águas que estão abaixo. Isso acontece, porque para os babilônios, acadianos e sumérios, a terra era como um disco, flutuando no meio de um oceano primordial, a parte de cima era um domo e impedia que as águas de cima caíssem sobre a terra. Logo abaixo da terra estaria uma espécie de submundo que era chamado de kur.ur, que pode ser interpretado como "cidade da montanha" ou "cidade subterrânea. O ponto aqui não é chamar atenção para “fazer” ou “criar”, mas sim despertar conscientemente a percepção de um ato criador fácil, poderoso e sem esforço, diferentemente do mito babilônico. Mais uma vez no texto bíblico nota-se a que não há batalhas entre deuses, não há competições entre poderes, apenas um deus criador usando seu poder incontestável para criar. A Bíblia de Jerusalém (2002, p. 33), em sua nota de rodapé (letra f), nos esclarece que a “abóboda” aparente do céu era para os antigos semitas uma cúpula sólida, mas também um tipo de “tenda” armada, o que remete ao trecho do poema babilônico em que Marduk divide o corpo de Tiamat em cria o céu e a terra com cada parte. Nesse sentido identificamos que a “cúpula sólida” foi uma maneira de descrever a essa divisão, onde o lado de dentro da cúpula se mostrava independente do lado de fora. Os Astros Gênesis 1 "Deus disse: Que Haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite: que eles sirvam de sinais tanto para as festas quando para os dias e os anos, que iluminem a terra, e assim se fez. Deus fez dois luzeiros maiores, o grande como poder do dia e o pequeno como poder da noite, e as estrelas." (Bíblia de Jerusalém, Gn 1, 14-19) Enuma Elish (Tabua IV) "Marduk fez a sua palavra, segundo a sua ordem, a constelação desapareceu e a uma nova ordem, aparece, a Constelação ficou restaurada. Shamash e Sin agora se põe em suas residências. Quando os deuses, seus pais, viram a eficácia de sua palavra o saudaram alegremente: “Só Marduk é Rei”. (Tábua IV, linhas 25-28) Mais uma vez nos deparamos com a questão da palavra criadora, mas desta vez, no poema babilônico, Marduk cria os astros também pela força de sua palavra. Shamash é o deus sol para os babilônios, e Sin é a deusa lua. Estes se pondo em suas residências, retratam o começo do texto bíblico, onde os luzeiros são postos em seus devidos lugares no firmamento. A similaridade no poema bíblico salta aos olhos, pois notamos que o grande luzeiro do dia é o sol e o pequeno luzeiro da noite é a lua. Notamos que a constelação também é citada no poema bíblico, porém, como "estrelas“. Ora, sabemos que constelação é o nome dado para uma formação constituída de estrelas, mais um ponto congruente. Uma divergência, é que nas culturas do Oriente Médio, especialmente, dos povos vizinhos a Israel, os astros tinham grande importância, eram considerados deuses. Já na redação bíblica, eles não passam de criaturas de Deus, e não recebem se quer um nome sendo apenas chamados de grande luzeiro e pequeno luzeiro. Nota-se que o autor bíblico reduziu a função desses astros a “lâmpadas” que iluminam a terra. As estrelas, cujos movimentos eram acompanhados pelos antigos astrólogos para orientação aparecem no relato de Gênesis quase que como uma ideia secundária, dando a entender que estas ainda eram menos do que os astros, que no poema babilônico eram deuses, mas no bíblico apenas completam a criação primária. Perceba que querendo enfatizar a questão do monoteísmo, que é a crença em um só Deus, a escola sacerdotal desmitificou profundamente as forças siderais, às quais nega honras divinas, bem como faz com a natureza e seus seres e forças. Desta forma toda a natureza é apresentada como criatura de Deus, libertando o homem de uma submissão diante desta, mas o colocando em submissão a outro tipo de crença. A Criação do Homem Enuma Elish (tábua VI) Quando Marduk ouviu as palavras dos deuses, seu coração o empurrou a criar maravilhas, e ele comunicou a EA(Enki): “vou juntar sangue e argila e formar ossos, farei um protótipo que se chamará homem, vou criar este homem para que lhe sejam impostos os serviços dos deuses e que eles estejam descansados”. (Tábua VI, linhas 1-8) Enuma Elish (tábua VI) Ataram-no (kingu) e o mantiveram preso em frente a EA. Inflingiram-lhe seu castigo, cortaram-lhe o sangue. E com seu sangue e argila, EA formou a humanidade e impôs sobre ela o serviço dos deuses, libertando-os deste. (Tábua VI, linhas 31-34) Gênesis 1 Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu e os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rasteja sobre a terra”. Deus os abençoou e lhes disse: “sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; Deus disse: “eu vos dou todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda a superfície da terra e todas as árvores que dão frutos que dão sementes: isso será vosso alimento” (Bíblia de Jerusalém, 2002, GN 1, 26-29) Logo de cara percebemos que os dois textos tratam de uma reunião entre os deuses para decidir como seria essa criação (homem). No texto babilônico nota-se que Marduk ouviu as palavras dos deuses e resolveu criar algo maravilhoso após isto, sendo que na versão bíblica é dito “façamos o homem à nossa imagem e semelhança” o que também retrata uma espécie de reunião, ou conselho dos deuses decidindo como seria feito o homem. Como poderia haver uma reunião dos deuses, se na Bíblia só existe um Deus? Bom, o que se percebe é que existiam sim outros deuses nas crenças hebraicas, mas foram desmitificados assim como a natureza e os astros, como já foi dito. Existem vários pontos na bíblia que demonstram isso, como: "Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Quem é semelhante a ti? Majestoso em santidade, criador de maravilhas” Êx 15:11-12. Ou em 1 Reis 11:33. “Isso porque Salomão me abandonou para Adorar Astarte (Astaroth), deusa dos Sidônios, Camos, deus de Moab, e Melcom, deus dos amonitas”. Só esses dois trechos já deixam claríssimo que existiam outros deuses na antiguidade hebraica, e você encontra mais trechos afirmando isso na bíblia, estes não são os únicos. Mais um ponto que é pertinente à teoria é que na Bíblia hebraica "original", é usada a palavra Elohim (do hebraico אֱלוֹהִים) para se dirigir a Deus. Na língua hebraica, o sufixo “im” do final da palavra Elohim, corresponde ao nosso “s” que indica a pluralidade da palavra, por isso, é verdade que o termo Elohim é forma plural de El (אל), que ao pé da letra significa “Deus” ou “majestade” em hebraico. Assim entende-se que na Bíblia original, quando se fala de Deus, estão se referindo ao plural de Deus, ou seja, deuses. Outro ponto interessante é que no texto babilônico, Enki usa o sangue de um ser divino e argila para criar o homem, já no texto bíblico, é dito que ele será feito à imagem e semelhança dos deuses. Comparando com a lógica chegamos à conclusão que “à nossa imagem e semelhança” nada mais é do que uma alusão ao texto babilônico, no qual próprio sangue de um deus é utilizado para criar o homem, caso contrário, por que não usar o sangue de qualquer outro animal? Ao falar de Genesis 2, percebemos um ponto bastante interessante, se você pegar o capitulo 2 de Gênesis, a partir do versículo 4, cujo título é “ A formação do jardim do Éden”, você vai perceber que as coisas escritas ali dispensam completamente o que está escrito no capitulo 1, ou seja, se não houvesse o primeiro capítulo, ainda assim haveria uma teoria completa para explicar a criação do universo. Isso acontece por conta das “correntes” ou fontes como citamos no início do artigo, pois os autores dos textos bíblicos não pertenciam à uma só escola literária, mas a 4 diferentes, o que resultou em algumas controvérsias nos textos. Por último, reforço a tese citando a primeira nota de rodapé do livro de Gênesis: (Gn 1, 1-2,4a). “A narrativa da criação não é um tratado cientifico, mas um poema que contempla o universo como criatura de Deus. Foi escrito pelos sacerdotes no tempo do exílio na Babilônia (586-538) a.C”. Creio que a nota fala por si só, não precisando de explicação para comprovar o afirmado. Conclusão A religião judaica passou por uma transformação que veio do politeísmo acadio-babilônico, passou pela monolatria, que é saber que existem vários deuses, mas preferir adorar apenas um, e só aí se tornou o monoteísmo que conhecemos hoje. Isso era normal, era o que acontecia na época. Os hebreus fizeram com os babilônios o que os babilônios fizeram com os acadiano, que fizeram com os sumérios, que fizeram com os ubaidianos e por aí vai. Aconteceu com diversos outros povos da antiguidade, como Grécia e Roma, onde os romanos adotam costumes, crenças e até a língua grega, dando luz à cultura Greco-Romana. A lógica da religião antiga idealizava que era comum para um povo que vencia, ou no caso, dos hebreus “se libertava”, acreditar que seu deus era mais poderoso do que o deus do povo inimigo em questão. A ideia parte do pressuposto que se os hebreus tinham seu Deus, e orando para ele conseguiram a libertação, esse deus logicamente seria mais forte do que os deuses babilônicos, caso contrário, a prece atendida seria a deles e não dos hebreus. A mesma coisa que aconteceu com os babilônios, ao adicionar Marduk e algumas peculiaridades nos mitos acadianos. É obvio que existem outras análises para este assunto, tanto antigas quanto modernas, pois como foi dito, um mito antigo possui simbolismos e figurações, o que abre espaço para diversas interpretações. Sim, com toda certeza os hebreus incorporam os mitos mesopotâmicos em suas crenças, porém, historicamente isso não é considerado plágio, mas sim "reciclagem mitológica", onde se utiliza um mito antigo, mas adapta-se seu contexto á visão do povo que o recicla. De qualquer jeito, o importante é conhecer tais mitos e, principalmente, saber a diferença entre mitologia e história, entre o que se diz que aconteceu e o que pode ser provado ter acontecido, caso contrário, seremos sempre como crianças deslumbradas, acreditando nas histórias de ninar que nossos pais (antepassados) contavam. Bibliografia e Referências Pesquisa Autoral por Edson Almeida. L.W.King - Enuma Elish: The Seven Tablets of the History of Creation L.W.King - Enuma Elish (2º Volume): The Seven Tablets of Creation; The Babylonian and Assyrian Legends Concerning the Creation of the World and of Mankind Mohammad R. Zok - Scientific Secrets in the Epic of Creation Enuma Elish LAMBERT, W. G. - Babylonian Creation Myths Shemuel B. G - THE ENUMA ELISH, The Babylonian Creation Myth Conheça minha Página @Contextologia no Instagram, onde compartilho minhas pesquisas e artigos na área da História, Arqueologia, Filologia e outros.

  • A História das Falácias Históricas

    Você já deve ter ouvido esse termo antes, e até pensado que sabe exatamente o significado do que significa uma falácia. E que existem mais de 50 tipos de falácias. E que algumas são coerentes com as outras de tal forma que criam até círculos viciosos. Sim, falácias são simples e complexas ao mesmo tempo, podem fazer seu interlocutor um objeto de admiração, quando na verdade o que ele está fazendo é manipular informações e pessoas para aquilo se ajustar ao que ele deseja que seja, e não como realmente são os fatos. Vamos explorar um pouco mais do que seria uma argumentação histórica e expor as premissas de algumas falácias e princípios, e assim, para quem não é, ou é, da área histórica/arqueológica, possa compreender melhor afirmações e novas propostas históricas que aparecem em artigos científicos ou até num tiktok aqui, ou reels alí... A História da Falácia A origem filológica da palavra falácia vem do equivalente grego “fallacia” , que significa: aquilo que engana ou ilude, sendo assim, uma falácia compreende-se como algo enganoso. Falácias também podem fazer parte de sofismas, ou seja, raciocínios elaborados maliciosamente para enganar o interlocutor, ou até em paralogismos, o mesmo que raciocínios falsos. A diferença reside aí, nem sempre o interlocutor é consciente sobre aquilo que faz, e pensa estar correto em sua linha de raciocínio, criando o que chamo de sofisma VERSUS paralogismo. Nada que bons estudos e aplicação de práticas científicas de raciocínio lógico não resolvam. Portanto é correto compreender que as falácias são criadas por raciocínios, aparentemente, certos, no entanto, que resultam em falsas conclusões. Isso é um risco para o revisionismo histórico, pois pode gerar as mais mirabolantes hipóteses, que por sua vez, não têm como ser comprovadas. Acontece que pessoas com baixo nível de conhecimento da área, acabam iludidas com fantasias maravilhosas de um mundo que nunca tenha existido. A origem do latim vulgar derivado do grego, teve um dos seus primeiros exploradores sob o nome do filósofo grego Aristóteles, o primeiro que se tem registro a se aprofundar na identificação e catalogação desse tipo de pensamento. A partir de Aristóteles e a evolução do pensamento, hoje, as falácias são vistas como uma falha de raciocínio criada em conjunto com uma argumentação inconsistente derivada de falta desconhecimento, e as vezes, de mau-caratismo. Falácias e a História Uma habilidade que é imprescindível ao ler sobre história, ou assistir sobre o tema ou escrever sobre o passado da humanidade, é saber identificar falácias em suas mais diversas cores, formatos e aromas, seja em roteiros ou livros. Para conseguir identificar as falácias nos argumentos, primeiro precisamos olhar o que constitui um argumento, seja ele proferido por você, ou por quem quer que seja. Novas propostas e hipóteses no campo do estudo da história necessitam da criação de argumentos para que o observador externo seja convencido de que a nova proposta é válida. Esses argumentos devem ser baseados em fatos, artefatos, e outras evidências que conseguimos durante a pesquisa. É importante entender que esses argumentos devem ser resistentes às provações, haja vista que toda proposta passa por análise de vários profissionais das mais diversas áreas, para então ser entendida como uma hipótese válida. O intuito disso é excluir vieses cognitivos, razões pobres ou falácias de alguma forma, prevenindo que você seja inadvertidamente enganado por algo que não tem uma fundação sólida. ARGUMENTO: portanto, é um recurso da linguagem empregado na defesa de um ponto de vista acerca de um assunto em situações de debate e discussão de ideias. E em se tratando de retórica existem diferentes graus de argumentos empregados nas referencias da criação de um raciocínio. O primeiro grau seria os Argumentos Fortes, aqueles que validam a informação, afim de garantir a sua veracidade. O segundo grau, enquadra os Argumentos Fracos, ou seja, os argumentos que não conseguem comprovar uma afirmação ou criar uma conclusão, e ainda assim, conseguem deixar o argumento rotulado como algo passível de ser verossímil. Não menos importante para este artigo, temos os Argumentos Falaciosos, aqueles que apresentam grandes erros na linha de raciocínio, porém, a depender do tipo e nível do público que é apresentado, acaba sendo tido como correto. Sendo assim, a falácia histórica consiste em declarações que parecem razoáveis num primeiro contato, porém, sob uma ótica lógica e criteriosa, não se sustentam, são irrelevantes, ou não fazem sentido. Ao saber identificar esses pontos nos discursos, com o tempo, você deixará de ser iludido com esse tipo de argumentação. E em contrapartida, passará a não usar justificativas desse tipo nos seus próprios pontos de vista sobre determinados assuntos, criando assim um ótimo senso crítico totalmente fundamentado em fatos e coerência. VAMOS AOS PINGOS NOS I's Há dezenas de tipos de falácias, e aqui exploraremos algumas das mais comuns no campo dos estudos científico, dando foco na história geral e mistérios que rondam o imaginário histórico das pessoas, profissionais e amantes dos fatos do passado. 1. Falácia da Generalização Apressada: Em geral esse tipo de falácia carrega argumentos sobre algo, tal como eventos históricos importantes ou ideias e são baseados em apenas um fato, ou poucos. Por vezes, o argumento tem poucos exemplos para suportar a hipótese. Por exemplo, não é porque duas culturas de tempo e local distinto utilizam grampos de metal entre seus blocos para construir muralhas, que necessariamente houve algum tipo de contanto entre elas. Sim, pode ter havido tal contato, mas apenas uma semelhança arquitetônica não basta parar comprovar o contato entre povos, a conclusão precipitada não demostra estudos mais aprofundados na cultura, credos religiosos e interação social de ambos os povos para compreender se de fato poderia ter ocorrido a aparição simultânea da tecnologia em várias partes do mundo, sem que haja o contato direito. O argumento não justifica a hipótese por si só, e não tem base para carregar uma conclusão, pois, apenas um ponto observado, não constrói um argumento sólido. Lembrando aqui que teorias são um conglomerado de hipóteses já testadas e comprovadas. O que é um outro exemplo de como a oratória pode manipular o consumidor de material histórico, haja vista que, por vezes, a palavra teoria é utilizada no lugar de hipótese, e para a ciência, isso muda completamente a abordagem da compreensão. 2. Falácia da Falsa Causalidade ou Falsa Causa A falácia da falsa causa é um tipo retórica que se utiliza da argumentação da causa e efeito, ou seja, estabelece uma relação casual para um efeito de espera, sempre entre dois elementos, no caso da história, de dois eventos. Na maioria das vezes, se estudada e analisada, até de forma superficial, chegamos á conclusão que essa relação não existe. Veja a seguir: Houve um cataclismo, e o cataclismo destruiu tal civilização. E porque não há provas da existência da civilização, porque houve um cataclismo que a destruiu. Porém, aí vem a questão: então como sabemos que houve uma civilização, se tudo que existiu dela foi destruído por um cataclismo? Posterioridade em si não é prova de fatos, apenas um fator dentro do leque de fatores possibilidade de argumentos, neste caso, fracos e falaciosos. Uma forma de evitar esse tipo de argumento é não dar maior atenção para o argumento em si, mas vasculhar os arredores do que ele envolve, procurar por evidências comprováveis e compreender o todo sob todos os aspectos que envolvem o assunto, não apenas o fato em si. 3. A Falácia dos Historiadores ou Viés de Retrospectiva Por vezes esse tipo de falácia, quando se trata de fatos históricos, divulgadores ou até não especialistas tendem a justificar ocorrências ou conclusões de hipóteses propostas segundo a opinião de figuras históricas, tal como se essas figuras históricas tivesse o mesmo nível de propriedade científica que historiadores ou arqueólogos têm na atualidade. Daí então vem o nome, viés de retrospectiva. Com a busca por audiência, veículos de comunicação e divulgadores de mídias sociais acabam por não terem conhecimento suficiente para interpretar o que vê e analisa, sendo assim, informações equivocadas e conclusões precipitadas são passadas para o público em geral em toneladas. Tais figuras históricas usadas como referências de veracidade, acabam por compreender que o significado dos eventos relatados não se torna aparente até a posteridade e ao mesmo tempo a atualidade, ou seja, quando é capaz de observar os acontecimentos a partir da perspectiva do presente, e não durante o tempo em que fato acontecia, no passado. Dessa forma, não há como uma testemunha ter consciência e servir como fator de comprovação, pois não estava ciente do que ocorria durante seu tempo de vida. Essa falácia do historiador também é cometida quando uma pessoa, um observador avalia decisões tomadas no passado com olhos modernos. “Qual seria o motivo dos egípcios gastarem tanto tempo, energia e esforço para construírem túmulos tão impressionantes? Não faz sentido! Deve haver algum outro motivo! Pois bem. Essa é uma visão curta sobre um ponto isolado: as pirâmides egípcias. Não considerando a cultura, o meio social, a composição hierárquica, os ritos religiosos e contexto em geral. Concluir algo sem usar algo que possa ajudar a evitar cair em falácias ou vieses, ou seja, o método científico de avaliação, é o mesmo que viajar no tempo para o futuro daqui 2 mil anos, e olhar as pessoas perguntando: por que os antepassados construíam casas tão gigantescas para apenas uma ou duas pessoas? É ilógico. Como pode isso? Você saberia que é simplesmente pelo motivo do milionário do presente ter o poder aquisitivo e poder ter a casa que quiser e onde desejar. Mas num futuro sem classes sociais, não teriam pista do que pensar, se não avaliarem todos os aspectos do contexto e momento histórico. 4. A Prova Possível Esse tipo de falácia é a mais um exemplo de argumento pobre, onde o proponente do argumento tenta provar que algo existiu através de algum evento que de fato aconteceu e já tem provas para isso. Sempre justificando que o primeiro evento tem potencialidade de ter existido, mas que na realidade não tem ligação direta se avaliado mais fatores ao redor do contexto das premissas do argumento. Logo, argumentar que pode ter acontecido, não prova que aconteceu. 5. Falácia do Espantalho Já a falácia do Espantalho, ou argumentação do espantalho, é comum ser vista em embates políticos durante campanhas eleitorais, e não é nada diferente quando o assunto é história. Ela ocorre quando um opositor a alguma hipótese tenta ridicularizar a imagem da pessoa que propôs o primeiro argumento, apenas com o objetivo de ataque pessoal, isso desvia a atenção do observador. Entretanto, o erro está aí, o oponente à tese ou hipótese não tem argumentos suficientemente fortes ou verdadeiros para opor contra os argumentos. Então, o jeito é conseguir uma forma de criar a falácia que mais se encaixa na ocasião, e isso incluir simplificar ao máximo ou pelo contrário, extrapolar, exagerar, sobre o argumento do proponente, dessa forma tentando transformar e mudar o argumento inicial a um nível quase idiota. Ou seja, não houve contra-argumento, apenas a tentativa de ridicularizar a pessoal ou hipótese. E para bons observadores, perceberão que o argumento inicial não foi sequer tocado, e o argumento é tão válido que o opositor não tem respostas a altura para contra-atacar, e assim faz birra intelectual com jogo de palavras e tratativa retórica para convencer seu público. Enfim, a gama de falácias é gigantesca e não cabe em livros completos, então num mero artigo podemos citar apenas alguns dos mais comuns vistos aqui e acola. Parte da identificação vem da bibliografia para esse pequeno artigo e as palavras do Dr. Jason Lepojärvi, um PhD nos estudos de teologia e religiões canadense que atual como professor da Universidade de Helsinki, Finlândia. Ele estuda a nuanças entre o raciocínio lógico e potencial psíquico humano em manipular e ser manipulado. É também estudioso especialista em dois autores contemporâneos entre si das retóricas e potencial de prosa no campo do ilusionismo verbal, são eles C. S. Lewis e Tolken, além de Anders Nygren, e St. Augustinho. Em suas palestras Lepojärvi sempre deixa claro como a prosa indutiva consegue realizar desejos pessoais dos leitores e como se deixam levar e acreditar em tudo aquilo que querem acreditar. Felizmente, a realidade é melhor que a ficção, e história não consiste em acreditar, mas sim em estudar e provar, e para separarmos isso na historiografia é necessário boa dose de bom senso, seriedade nos estudos e senso critico. E é isso que o Almanaque Arqueohistória propõe ao leitor. Boas pesquisas, jovens padawans. GOSTOU DO ARTIGO? Então envie para aquele amigo ou amiga que curtiria também... Bibliografia AUDI, Robert. The Cambridge Dictionary of Philosophy. New York: Cambridge University Press, 1999. ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. Trad. Alfredo Bosi e Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2007. LEPOJÄRVI, Dr. Jason. Palestra diversas. COPI, Irving M. Introdução à Lógica. Tradução de Álvaro Cabral. São Paulo: Mestre Jou, 1974. JOSEPH, Horace William Brindley. An Introduction to Logic. Oxford: Claredon Press, 1906.

  • A Dinastia Paleóloga - A última Dinastia do Império Bizantino (Império Romano do Oriente) - parte 1

    Você sabia que o Império Bizantino foi o único império, a oeste da China a sobreviver da Antiguidade até o início da era Moderna e que a Dinastia da família dos Paleólogos sucateou com os outros reinos e Impérios a massa falida do Império Bizantino em troca de "favores" ? Entendendo o Contexto: O Império Bizantino surgiu da divisão do Império Romano, quando esse estava no auge da sua expansão; e pelas dificuldades de manter esse imenso território que de tão extenso, só para se ter uma ideia, compreendia quase toda a Europa, o norte da África, e uma parte da Ásia. Manter todas essas regiões sobre proteção dos constantes ataques Bárbaros era além de difícil, muito caro e principalmente, de grande complexidade política. Sendo assim, foi com o imperador Diocleciano (284 a 305) que assumiu esse período altamente complicado quanto a gestão do Império Romano, criando uma ideia de divisão e compartilhamento dos territórios conquistados, chamado de TETRARQUIA, ou seja, um governo formado por quatro personalidades de grande confiança do imperador, (generais romanos), onde cada um iria gerir um pedaço desse imenso território que constituía o Império Romano até aquele momento; e com isso encontrar a obtenção do controle, da paz social e o domínio sobre a política. O Processo de Divisão do Império Romano: A Tetrarquia, deu início ao processo de separação do Império Romano em partes Autônomas e Inter Dependentes. Com o afastamento de Diocleciano (abdicou ao poder no ano de 305, pois estava muito doente e enfraquecido fisicamente e também politicamente. Com isso veio seu sucessor interino, o imperador Constâncio I (305 a 306), também conhecido como Constâncio Cloro, pai de Constantino I e de nome completo, FLAVIO Valério Constâncio, e após mais dois imperadores terem assumido o império romano, a saber; Maximiano (286 a 305) e Galério (305 a 311), o Império Romano é assumido pelo filho de Constâncio Cloro; Constantino I (307 a 337), que viveu boa parte de sua infância e juventude na corte do imperador Diocleciano. ROMA e o CRISTIANISMO: Cabe aqui uma pausa e notar que ambos, Diocleciano e Constantino I, tiveram uma postura distinta em relação a religião cristã. Enquanto Diocleciano marcou seu reinado, perseguindo e escravizando e matando os cristãos, Constantino I, cujo nome completo curiosamente é FLAVIO Valério Aurélio Constantino (em latim: Flavius Valerius Aurelius Constantinus) fato esse que nos remete a dinastia dos imperadores Flavianos, os inventores e precursores do cristianismo, Constantino I, se converteu ao Cristianismo sendo considerado o primeiro imperador cristão do Império Romano. Dessa forma, Constantino I, mudou a capital do Império Romano de Roma para antiga cidade de Bizâncio, rebatizando-a de cidade de Constantinopla em sua alto homenagem (atual Istambul, capital da Turquia) de onde governou até a sua morte em 22 de maio de 337 na cidade de Nicomédia (atual Izmit, Turquia). Após 6 (seis) dinastias de imperadores Romanos, assume então, Teodósio I (378 e 395) outro imperador cujo nome completo contém "FLAVIO" no nome e que 'coincidentemente', está ligado ao Cristianismo, FLAVIO Teodósio. Teodósio oficializou o cristianismo, através do Édito de Tessalônica (380), tornando-a única, oficial e obrigatória em todo império e além disso, em 381, proibiu todos os ritos pagãos (não cristãos) e foi quando evoluiu a ideia da Tetrarquia para a divisão do império em duas grandes partes, sendo: - Império Romano do Ocidente com capital em Roma e, - Império Romano do Oriente (Império Bizantino), com capital em Constantinopla. O NASCIMENTO DO IMPERIO BIZANTINO (ALTOS E BAIXOS): E foi dessa divisão do Império Romano em duas partes que surgiu o Império Bizantino. Um império que durou 11 séculos (330 a 1453) em todo o seu esplendor e grandeza até o seu declínio sob o gerenciamento da última Dinastia Romana Bizantina; a Dinastia dos Paleólogos (falaremos mais adiante em outra parte desse artigo). Nos anos de existência do Império Bizantino tivemos, o reinado de Heráclio (610–641), cuja administração e as forças armadas do império foram reestruturadas e o grego foi adotado em lugar do latim, fazendo com que o Império Bizantino se distinguisse da Roma Antiga, na medida em que foi orientado à cultura grega em vez da latina e caracterizou-se pelo cristianismo ortodoxo em lugar do politeísmo romano e o Cristianismo Católico Romano do Império Romano Ocidental. As fronteiras do império Bizantino mudaram muito ao longo de sua existência, passando por vários ciclos, tanto de declínio, quanto de recuperação. Até que durante o reinado de Justiniano (527–565), o Império Bizantino alcançou sua maior extensão, após reconquistar até mesmo, muitos dos territórios do mediterrâneo antes pertencentes à porção ocidental do Império Romano, incluindo o norte da África, península Itálica e parte da Península Ibérica. Ou seja, foram altos e baixos durante a existência do Império Bizantino conforme exemplos abaixo. Durante o reinado de Maurício (582–602), as fronteiras orientais foram expandidas e o norte estabilizado. Contudo, seu assassinato causou um conflito de duas décadas com o Império Sassânida que exauriu os recursos do império Bizantino e contribuiu para suas grandes perdas territoriais durante as invasões muçulmanas do século VII. Mais exemplos de altos e baixos: Já durante a dinastia macedônica (século X–XI), o império expandiu-se novamente e viveu um renascimento de dois séculos, mas que chegou ao fim, com a perda de grande parte da Ásia Menor para os turcos seljúcidas, após a derrota na Batalha de Manziquerta em 1071. No século XII, durante a Restauração Comnena, o império recuperou parte do território perdido e restabeleceu sua dominância. No entanto, após a morte de Andrônico I Comneno (1183–1185) e o fim da dinastia Comnena, no final do século XII, o império entrou em declínio novamente. Até que recebeu um golpe fatal em 1204, no contexto da Quarta Cruzada, quando foi dissolvido e dividido em reinos latinos e gregos concorrentes. Apesar de Constantinopla ter sido reconquistada e o império restabelecido em 1261, sob os imperadores Paleólogos, o Império Bizantino nunca mais foi o mesmo. Teve que enfrentar diversos estados vizinhos rivais por mais 200 anos para sobreviver e paradoxalmente, este período foi o mais produtivo culturalmente de sua história. Sucessivas guerras civis no século XIV minaram ainda mais a força do já enfraquecido império Bizantino e mais territórios foram perdidos nas guerras bizantino-otomanas, que culminaram na Queda de Constantinopla e na conquista dos territórios remanescentes pelo Império Otomano no século XV. Desenvolvimento Territorial do Império Bizantino ao longo dos anos Fim da parte 1 desse artigo - continua na parte 2, não percam! E ai, pessoal? Gostaram desse artigo? Deixe seu like. Minha pagina no Instagram -- Aletheia Ágora em http://instagram/aletheia_agora Obrigado pela leitura e até o próximo POST Um abraço FLAVIO AMATTI FILHO www.instagram.com/aletheia_agora/ Bibliografia, Fontes e Referencias: https://educalingo.com/pt/dic-pt/paleologo https://pt.wikipedia.org/wiki/Dinastia_pale%C3%B3loga https://pt.wikipedia.org/wiki/Queda_do_Imp%C3%A9rio_Romano_do_Ocidente https://pt.wikipedia.org/wiki/Constantino https://pt.wikipedia.org/wiki/Persegui%C3%A7%C3%A3o_de_Diocleciano https://pt.wikipedia.org/wiki/Diocleciano Do auge à queda: conheça o Império Bizantino, que durou 11 séculos - Revista Galileu | História (globo.com) GIBBON, Edward. Declínio e queda do Império Romano. Edição abreviada. São Paulo: Companhia da Letras: Círculo do Livro, 1989. Alföldy, Géza. 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  • O Mapa de Piri Reis e a Antártica

    Analisando e desmistificando o famoso e misterioso Mapa de Piri Reis. Você provavelmente conhece o Mapa de Piri Reis e a teoria proposta por Ghaham Hancock, embasada nas pesquisas de Charles H. Hapgood, que consiste na afirmação de que este mapa contém uma antiquíssima representação do continente antártico, porém, representado em clima tropical, e séculos antes do descobrimento oficial. Mas será que podemos comprovar arqueológica/historiográficamente essa afirmação? É o que veremos neste artigo. História O Turco Hajı Ahmed Muhiddin Piri el-Hac Mehmed, mais conhecido como Piri Reis, foi um almirante, geógrafo e cartógrafo, que viveu entre 1470-1553. É autor de um Mappae múndi, que compusera em 1513, para dar de presente ao Sultão árabe Selim "O conquistador". Posteriormente, este mapa ficaria conhecido como Mapa de Piri Reis. Piri Reis era um erudito, e o conhecimento que tinha das línguas espanhola, italiana, grega e portuguesa, muito o auxiliou na confecção de seus mapas. Após combater por muitos anos com as marinha Espanhola, Genovesa e Veneziana, Piri Ibn Haji Mehmed, célebre herói (para os turcos) e pirata(para os europeus), ascendeu ao posto de Almirante ("Reis"). O jornalista britânico Graham Hancock, embasado nos estudos do pesquisador Charles Hapgood, popularizou a teoria de que o almirante teria representado a costa da Antártica em seu mapa, porém, séculos antes do descobrimento oficial do continente. Outro ponto que Hancock afirma é que a representação contida no mapa, mostra o continente antártico sem sua camada de gelo, e o descreve com clima quente. Bom, sabemos que a Antártica só foi oficialmente descoberta em 1820. Sabemos também que nos últimos 50.000 anos, o continente possui um dos climas mais extremos do planeta terra, chegando a temperaturas de −89,2 °C, por isso, Hancock criou a teoria de que Piri Reis teria tido acesso a mapas antiquíssimos, produzidos por uma outra humanidade bem anterior a nossa, onde o clima do planeta era totalmente diferente, incluindo a Antártica, que teria clima quente. A título de curiosidade, o Almirante Reis não produziu apenas este mapa, produziu diversos outros e publicou, em 1521, em um livro de nome "Livro dos Mares", que deu de presente para outro sultão árabe, destas vez, Suleyman "O Magnífico". Posteriormente, em 1528, Reis produziria um outro mapa múndi, bastante diferente do primeiro, pelo que dizem os estudiosos da época, porém, apenas uma pequena parte desse mapa sobreviveu ao tempo. O Mapa O Mapa de Piri Reis é um mapa múndi bastante comum para sua época, (1513 e.c., como já citado). Obedece o estilo cartográfico dos mapas chamados de Gráfico Portulano, que eram mapas utilizados desde a idade média até meados do século XVIII e.c., como ferramentas básicas de aprendizado. Os Gráficos Portulanos continham cores exuberantes, descrições de animais, povos, seres míticos, lendas e outras peculiaridades, no intuito de chamar a atenção dos que os estudavam, porém, não eram utilizados como mapas cartográficos para navegação. Estes mapas começaram apenas representando a região do mediterrâneo, posteriormente, passando a conter representações e informações de outros cantos do mundo, quando passaram a ser considerados Mapas Múndi. O mapa não está completo, apenas uma pequena parte do canto inferior esquerdo sobreviveu até os dias atuais, mas mesmo assim, contém 117 nomes de locais, sendo a maioria deles típicos dos Gráficos Portulanos, sendo facilmente identificados em outros mapas da época. Possui também 13 notas de informação, sendo 12 na língua Turca otomana e uma na língua árabe, esta, identifica o nome do autor. "Este mapa foi feito por Piri Ibn Haji Mermed, sobrinho de Kemal Reis, em Gallipoli, no mês de Muharrem, do ano 919". A data "mês de Muharrem de 919" é o equivalente árabe a mês de março do ano 1513, no calendário gregoriano. É bastante importante ter em mente que os Gráficos Portulanos, por serem produzidos na época da "corrida pelo mundo, onde nações guerreavam para serem as descobridoras de novas terras", obedeciam senso cartográfico desta época, bem como se empenhavam em constatar pelos próprios mapas que a terra é esférica, e não plana, como se acreditava até pouco tempo atrás, nesta época. Em outras palavras, o povo que produzia um mapa o adaptava ás suas visões, por isso, vemos uma enorme imprecisão no Mapa de Piri Reis em se tratando de tamanho e largura de um território. Vemos que as Américas estão muito maiores do que realmente são, indo bem mais ao norte e também bem mais ao sul do que a realidade, inclusive, fazendo curvas que acompanhavam a esfericidade do mapa. A imagem representa a América do Sul desproporcionalmente grande, sendo, inclusive, maior que a África e a Europa juntas. Isso acontece por diversas razões, a maioria delas, sendo simbologia política ou literária para afirmar que aquele local, o "Novo Mundo", recém descoberto, era maior, mais rico e mais valioso do que o já antigo e conhecido "Velho Mundo". Isso acontecia em todos os mapas da época, não somente no de Piri Reis. Encontramos, inclusive, diversos mapas portugueses possuindo essas mesmas características, imprecisões geográficas contendo territórios que são representado muito maiores ou mais largos do que realmente são. Provavelmente foi isso que o Almirante Reis fez em seu mapa, o produziu de acordo com os critérios cartográficos da época, representando as Américas, que na época era território recém descoberto, em escala magnífica, no intuito de assim, chamar a atenção de Selim "O conquistador", sultão ao qual Reis presenteou o mapa. Obviamente, ele tinha a intensão de induzir o sultão a patrocinar sua expedição para as Américas, mas pelo visto, isso não aconteceu. As Fontes de Piri Reis As informações sobre as possíveis fontes utilizadas por Reis estão no próprio mapa e se considerarmos que são reais, ainda assim, chegamos a origens que indicam no máximo o século 4 a.e.c., como veremos adiante. Tradução: "Neste século, ninguém tem em mãos um mapa como este. A mão desse pobre homem o desenhou baseado em 20 documentos e Mapas Mundis, (esses documentos foram feitos nos dias de Alexandre "O Senhor dos dois Chifres", e mostram a parte inabitada do mundo. Os árabes chamam esses gráficos de Jaferiye), sendo 8 Jaferiye, como os citados, um mapa árabe de Hind, mapas feitos por quatro portugueses, que mostram os países de Hind, Sind, e China, geometricamente desenhados, e também do mapa desenhado por Colombo, na região ocidental. Reduzindo todos estes matas a uma mesma escala, este é o resultado final. Então, o mapa em questão está correto e é confiável para os Sete Mares, do mesmo jeito que os mapas de nossos países são considerados corretos e confiáveis pelos homens do mar." Como podemos ver, Reis afirma ter utilizado 20 documentos para produzir seu mapa, sendo 8 destes, gráficos árabes (Jafariye), um mapa feito por quatro portugueses, um outro mapa feito por Cristovão Colombo, totalizando 10. Os outros 10 documentos, são outros mapas múndis, como ele afirma no início do texto, afinal, é obvio e lógico que os cartógrafos se baseavam também em outros mapas contemporâneos, para produzir os seus. Os países de Hind, Sind, citados no texto, correspondem a Índia e Paquistão, e China corresponde á China, que já era conhecida na época. Hind e Sind eram nomenclaturas utilizadas pelos primeiros cartógrafos otomanos para descrever os territórios acima citados, pois era como tais locais eram conhecidos em sua língua. Provavelmente, Reis também teve acesso a diários de bordo de exploradores portugueses e espanhóis, pois descreve em seu mapa lendas, terras e criaturas míticas que também são encontradas em histórias retiradas de diários dos viajantes daquela época. Quanto ao mapa desenhado por Colombo, sabemos que atualmente não existe nenhum exemplar original, porém, pode ser que na época, reis possuísse um. O mais provável em relação a isto é que Reis tivesse em mãos um mapa feito por Juan de La Cosa, um cartógrafo espanhol que participou de diversas expedições com Colombo e fez seus próprios mapas bastante similares aos dele, posteriormente, viajando para a Turquia. Imprecisões e Equívocos Primeiramente, precisamos entender o contexto histórico e político da época, onde pelo menos oficialmente, o ocidente e algumas outras partes do mundo eram pouco conhecidas, alvos de ambições e desejos de diversos povos e nações. Consequentemente, toda essa pressa e ambição, acabaram culminando em desinformação e mapas pouco confiáveis. Isso acontece por conta da "corrida pelo novo mundo", que era enfrentada por quase todas as grandes nações da época. Todos queriam descobrir mais terras, nomear mais territórios, afirmar que seus almirantes e cartógrafos já haviam conhecido e mapeado o mundo todo, mesmo que não houvessem feito isso. Em resumo, alguns cartógrafos passaram a "completar" as regiões que não conheciam com formas aleatórias e lendas/mitos comumente conhecidos na época. O resultado disso, como já dito, foram diversos mapas múndi, em sua maioria, Gráficos Portulanos, representando terras e seres que não existiam, outros, não representando algumas que existiam e outros, com formas, distancias, tamanhos e posições totalmente equivocadas. Um grande exemplo desses equívocos é a Costa do Caribe, que no mapa de Reis, tem uma representação totalmente diferente da realidade, com uma grande ilha central cercada de pequenas ilhas. Cuba não está presente neste mapa, bem como diversas outras ilhas da região. Alguns pesquisadores afirmam que estas ilhas nem mesmo são o Caribe, mas uma parte do Japão, pois, até meados dos século XVI, acreditava-se que o Caribe fazia parte da Asia. Certo é que, mesmo que ele estivesse tentando representar o Japão, ainda assim, o formato, número de ilhas e posição, não bateriam também, ou seja, a representação está longe de ser fiel a qualquer território que possa ser uma opção possível e plausível para o contexto geográfico e intelectual da época. Outro ponto que logo podemos perceber é que Reis representa duas entradas para o interior do Amazonas, ou seja, ele representou dois Rios Amazonas, talvez por ter se confundido quando estava estudando os mapa portugueses, talvez por falta de conhecimento geográfico da região. Na nota da diagonal esquerda das duas entradas representadas por Reis, lemos: "Duas grandes bocas marinhas, de mesma corrente, adentram a região correndo em direção a uma enorme parede de montanhas, lar de duas tribos, a dos homens sem torso e a dos homens peludos". Perceba que ele cita "duas grandes bocas marinhas, de mesma corrente", indicando que os cursos aquáticos aos quais ele se referia, faziam parte do mesmo corpo fluvial, ou seja, são duas representações do Rio Amazonas. Note também que ele descreve e representa por desenhos no mapa, tribos de homens sem torso, e tribos de homens peludos, que são lendas contidas nos diários de diversos exploradores espanhóis e portugueses, da época. Poderiam essas representações lendárias serem consideradas equívocos? Sim e não. Sim, porque sabemos que tais criaturas não existiram, não se encontra vestígios ou evidências sobre as mesmas. Não, porque como já citado, não só era comum, como era regra, que os Gráficos Portulanos possuíssem tais informações, pois as crenças e mitologias tinham grande papel na vida cotidiana das nações daquela época, sendo assim, estranho seria não encontrar seres e terras lendárias nesses tipos de mapa. Existem outros diversos equívocos e imprecisões nesta pequena parte do mapa que nos restou, como a posição das massas de terra em relação aos polos, corpos montanhosos que não existem, distancia entre continentes e outros. Para nosso objetivo neste estudo, bastam estas já apresentadas, pois sozinhas, já nos contextualizam sobre o modo e objetivo de produção deste mapa. Antártica no Mapa? Um dos pontos mais conhecidos e mais controversos de toda essa história é a já citada teoria proposta pelo jornalista britânico Graham Hancock, que baseado nos estudos do pesquisador Charles H. Hapgood, propôs que o Mapa de Piri Reis é baseado em fontes antiquíssimas, provavelmente de uma outra humanidade, datando entre 20.000-10.000 a.e.c., pois para ele, esta seria a única explicação para o mapa representar um continente até então desconhecido, e totalmente diferente do que realmente é atualmente. Segundo a teoria, isso só poderia ter sido visto pela última vez há 16.000 anos atrás, portanto, só uma civilização anterior á atual poderia conhecer os detalhes e nuances daquela terra. Cumpre salientar que nesta teoria, essa outra humanidade não só existiria muito antes da nossa, mas também residiria na Antártica. Bom, já comprovamos por meio das inscrições no próprio mapa que isso não é verdade, suas fontes, as quais citamos e traduzimos, indicam uma data que chega no máximo á época de Alexandre o grande, no século IV a.e.c., porém, para elucidar ainda mais o objetivo deste estudo, comprovaremos agora, de uma vez por todas, que o mapa não representa a Antártica, muito menos com clima quente. Primeiramente, é importante salientar que é comprovado cientificamente que a Antártica já teve clima tropical, porém, no período eoceno, entre 40-50 milhões de anos atrás. Este estudo foi realizado pelos pesquisadores da Universidade de Yale e comprovou por meio de estudos geológicos, arqueológicos e climáticos que no período eoceno, a temperatura na Antártica era semelhante á temperatura da Califórnia, nos dias atuais. "By measuring concentrations of rare isotopes in ancient fossil shells, the scientists found that temperatures in parts of Antarctica reached as high as 17 degrees Celsius (63F) during the Eocene, with an average of 14 degrees Celsius (57F) — similar to the average annual temperature off the coast of California today. Eocene temperatures in parts of the southern Pacific Ocean measured 22 degrees Centigrade (or about 72F), researchers said — similar to seawater temperatures near Florida today." "Ao medir as concentrações de isótopos raros em fósseis de conchas antigas, os cientistas descobriram que as temperaturas em partes da Antártida chegaram a 17 graus Celsius (63F) durante o Eoceno, com uma média de 14 graus Celsius (57F) - semelhante à média anual da temperatura na costa da Califórnia hoje. As temperaturas do Eoceno em partes do sul do Oceano Pacífico mediram 22 graus centígrados (ou cerca de 72F), disseram os pesquisadores - semelhantes às temperaturas da água do mar perto da Flórida hoje." Em pouca palavras, a Antártica já era um enorme bloco de gelo na época em que Hapgood afirmar ter existido uma civilização residente lá. E mesmo que houvesse tal civilização na época em questão, ela teria vivido no meio do gelo, pois o clima na região era ainda mais frio do que atualmente, na época apontada por ele. Ao descobrir isso, Hapgood propôs outra hipótese, na esperança de fazer sua teoria não cair por terra. Ele afirmou que enormes massas de gelo se formaram nos polos terrestres, desestabilizando a rotação terrestre. Essa hipótese não foi muito longe, logo os cientistas comprovaram que tal evento não seria possível, e mesmo que fosse, teria alterado completamente o Eixo Axial (inclinação) da Terra, o que não aconteceu, portanto, tal evento também não. Perceba que o argumento primário da teoria de que o Mapa de Piri Reis provém de uma antiquíssima civilização é o de que ele representa detalhadamente a Antártica antes dela ser descoberta e sem gelo, porém, o próprio Hapgood se contradiz em suas afirmações, uma vez que ele afirma que o continente tinha clima quente na época dessa civilização, mas depois, afirma que "enormes massas de gelo se formaram nos polos terrestres, desestabilizando a rotação terrestre". Ora, se a Antártica fica em um dos polos, como poderia ele afirmar que ela possuía clima quente ao mesmo tempo que afirma que o gelo nos polos era tão intenso, que desestabilizou a rotação da terra? Obviamente, Hapgood estava tentando fazer sua teoria se encaixar á realidade, ou melhor, a realidade se encaixar á sua teoria, o que não aconteceu. Continuando, vemos também que existem algumas notas de informação na região que é tida por Hapgood como a Antártica, vejamos: Tradução: Texto á esquerda: "Nesse país, parecem haver monstros com pelos brancos nesta forma, e também bois de seis chifres. Os infiéis portugueses escreveram isso sem seus mapas." Texto á direita: "Este país é um desperdício. Tudo está em ruínas e também é dito que cobras enormes são encontradas aqui. Por essa razão, os infiéis portugueses não ancoram nessa costa, também é dito que é muito quente." Como podemos ver, as notas sobre a região não nos apresentam uma descrição confiável da Antártica, tanto em clima, quando em fauna. Observe que ele representa uma cobra no canto inferior direito, e afirma que grandes cobras são encontradas nesse país, o que, por si só, já comprova que o local não poderia ser a Antártica. Digo isto por um simples motivo, cobras são répteis, que são animais ectotérmicos, ou seja, necessitam de fontes externas de calor para manter sua temperatura corporal. Isso quer dizer que eles precisam ficar expostos ao sol ou em algum lugar aquecido, não conseguindo sobreviver em locais gelados. Mas então, o que seria essa região inferior no mapa de Reis? Simples, a parte sul da América do Sul. Como já citamos, era comum para os critérios cartográficos da época, que o novo mundo fosse representado em escala bem maior do que o velho mundo, da mesma maneira, já foi explicado também que na época em questão, era recente a comprovação de uma terra esférica, por isso, os próprios mapas eram produzidos em formato esférico, forçando os cartógrafos a representar diversos territórios com curvaturas que em verdade, não existiam. Note que se sobrepormos o mapa da América do sul ao Mapa de Piri Reis e girarmos 90º, as imagens parecem combinar quase que perfeitamente com a parte sul da América do Sul, considerando, obviamente, erros e imprecisões já citadas anteriormente. Da mesma maneira, temos mapas portugueses que obedecem a este mesmo estilo cartográfico, como o de Juan de La Cosa, onde a parte sul da América do Sul é representada quase que deitada, indo bem mais ao leste do que realmente vai. O Formato dos mapas, sempre arredondados nos cantos, nos indicam que para o desenho caber dentro do mesmo, realmente precisariam possuir curvaturas, caso contrário, não se encaixariam no formato dos Gráficos Portulanos. Conclusão Indo direto ao que interessa, baseado nos estudos citados acima, nas notas de informação contidas no mapa e sabendo que portugueses não exploraram a Antártica, concluo que o Mapa de Piri Reis não foi baseado em fontes antiquíssimas provenientes de uma outra humanidade, tampouco, representa a Antártica com clima quente. O mapa é apenas mais um dos muitos Gráficos Portulanos que sobreviveram até os dias atuais, contendo características dos mesmos, como cores, tipos de informação, representações e outros pontos já citado acima. As anotações que Reis fez no mapa nos comprovam isto, pois vemos por diversas vezes que ele cita os portugueses, ou afirma que eles "escreveram isso em seus mapas". Não há como não chegar á conclusão de que Reis não usou fontes antiquíssimas, nem representou a Antártica, pois ele mesmo nos conta isso nas notas de informação de seu mapa, basta ler e entender. Em resumo, fica claro que a época em questão, a corrida pelo novo mundo, a falta de conhecimento geográfico, a adequação da visão de mundo de cada nação e alguns teóricos secundários (nas últimas décadas), contribuíram para que um mapa comum para sua época, atualmente, parecesse algo que não é, representando algo que não representa. Pesquise, confira as fontes, referências, bibliografias, tudo que lhe ajude a ser um pesquisador de verdade, baseie-se em evidências, não em gostos ou crenças. Bibliografia e Fontes: Livros: Piri Reis - The Book of Bahriye Gregory C. McIntosh - The Piri Reis Map of 1513 Andy R. Levers - The Truth of Piri Reis Map Sites: Informações sobre Reis: https://www.pirireis.edu.tr/genius-sailor-piri-reis Mapas: https://web.archive.org/web/20110716074653/ http://www.diegocuoghi.it/Piri_Reis/McIntosh/McIntosh_PiriReis.htm Traduções do mapa: http://turkeyinmaps.com/piri.httml#I Canal World of Antiquity: https://www.youtube.com/c/WorldofAntiquity

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